Qual é a capacidade de resposta do governo municipal?

Jacareí/SP

Fiquei imaginando como seria a situação dos secretários da Prefeitura de Jacareí se o morador pudesse marcar o Instagram da Prefeitura em cada necessidade da cidade: ruas esburacadas, falta de varrição, praças que demandam manutenção, as árvores que precisam de poda, filas nas unidades básicas de saúde, escolas necessitadas de pintura, banheiros adequados, entre outras coisas.

É claro que existe o Atende Bem – aquele serviço online que você preenche para se sentir ouvido – nem sempre atendido, mas imagina um prefeito que adora gravar vídeos nas redes sociais com supostas conquistas da prefeitura que nem sequer começaram a ser construídas, ter que catalogar e dar respostas a cada pedido, grande ou pequeno, do cidadão jacareiense.

A capacidade de resposta de um governo é um excelente indicador da eficiência de uma gestão, discutido pelo cientista político Robert Putnam. O autor, em sua análise, aponta que o acesso, isto é, conseguir o contato; a rapidez da resposta (atende em tempo adequado?); a clareza na resposta; a sua qualidade na resolução ou orientação em relação ao problema e o tratamento com disposição em atender o cidadão são elementos fundamentais nessa análise.

Quando uma necessidade é urgente, a capacidade de resposta é imediata, como os rompimentos de adutoras frequentes em Jacareí, mas e quanto às outras necessidades? A resposta vem pela visibilidade do problema ou pelo comprometimento em chegar a todas as ruas e a todos os cidadãos desta cidade? E quanto aos bairros de periferia que aguardam itens básicos de infraestrutura urbana? E o que diz respeito à qualidade do serviço, desde os materiais usados até o acabamento realizado? E o cumprimento dos prazos?

Essa abordagem do autor em questão serviu para avaliar os governos regionais da Itália, mas são índices de qualidade aplicáveis a qualquer esfera, reconhecendo as duas devidas proporções. Portanto, cabe avaliar o governo estadual e o governo federal seguindo essa lógica. E, dessa maneira, o cidadão pode perceber a diferença entre as promessas de campanha, o plano de governo e a realidade, isto é, o resultado material na prática.

Contudo, não podemos esquecer que a cidade/município é a vida doméstica do país. Deve existir um peso de responsabilidade sobre o prefeito e seus secretários (sem escapar os vereadores, muitas vezes, “soldadinhos de chumbo”), para a vida cotidiana do cidadão. Quem se debruça sobre infraestrutura é aquele que conhece as ruas, que domina o território, que suprime os discursos ideológicos em busca de resultados.

A realidade é dura diante de um vídeo gravado com a mais alta qualidade. Basta a vida diária para que cada um reconheça a sua própria escassez. É, então, a necessidade que deve falar mais alto!  

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba. @semanariojornal

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