
Sempre que finaliza o período eleitoral, a ressaca maior é daqueles que se frustram com os resultados. Sobram memes, deboches e menosprezos para aliviar o enjoo da embriaguez, principalmente de quem é capaz de votar baseado no sentimento de torcida. Alguns vomitam toda a sua estupidez e manifestam todo o seu rancor. Para todos, não há dúvida: o único remédio disponível se chama Lula.
Dor de cabeça mesmo é o que teremos com os parlamentares eleitos, como algumas crianças mimadas que apenas sabem gritar. Elegeram-se, sem dúvida, pela presença nas redes sociais, polemizando, sem propostas reais, muito, muito menos com ações concretas durante seus mandatos. Eles possuem respostas na ponta da língua, frases decoradas, treinados a dar argumentos em extensão textual típica de X (ex-Twitter), com discursos que representam o íntimo de alguns covardes, legalmente calados pelas Leis. Estes provocarão enxaqueca por muito tempo.
Mas qual é a tua responsabilidade por aqueles que foram eleitos? Se cada parlamentar é um componente deste tratamento que o país precisa, não adianta votar e lembrar-se daqui a 2 ou 4 anos. É preciso carregar em tuas costas o peso de tuas escolhas e cobrar da maneira que for possível, é acompanhar, e, acima de tudo, amadurecer as tuas críticas. Se o voto foi movido por uma indignação, até que ponto ela é real? É reconhecível diante dos fatos? Os eleitos serão capazes de resolver?
Chega de parlamentares que são eleitos apenas para “parlar”, como um deputado milionariamente reeleito definiu sua função, até porque não apresentou nenhuma proposta importante para o país em seu primeiro mandato. Elegemos pessoas que viverão de forma luxuosa apenas para viralizar nas redes sociais? Escolhemo-las apenas para retratarem nosso ódio suprimido? Para deputados e senadores, a população precisa cobrar a produção de resultados reais que suas ações sejam capazes de promover, sob condição de “não renovação de contrato”: “rua” daqui a 4 anos.
Afirmar que não é tua responsabilidade porque escolheu outro também não ajuda. Apenas alimenta o teu ego superior de “senhor da razão”. Dos defensores da Direita (ou deveria chamar de bolsonarismo?) e da Esquerda, sobram publicações orgulhosas e rasas do quanto o outro está errado. Em uma publicação recente, por exemplo, uma pessoa “devolve o cérebro” ao eleitor que não escolheu o candidato dela. Um idiota falando do outro, sem capacidade de enxergar suas próprias contradições.
Nosso país possui problemas a serem resolvidos. Nossas doenças não vêm de uma festa regada a bebedeiras, como um inebriante casamento em Las Vegas, sequer lembrado no dia seguinte, quando a responsabilidade bate à porta. Somos um corpo com uma formação em que vários órgãos possuem deficiência em seu funcionamento, e apenas compramos analgésicos para esconder a dor. Para além do presidente, vários deputados e senadores foram escolhidos como o coquetel de remédios de que precisamos. Contudo, só há um tratamento eficaz e de longo prazo, e ele se chama controle social.

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba. @semanariojornal
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