O Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, numa homenagem a Roberto Simonsen, seu patrono, ganha singular simbolismo em 2026, pois coincide com os 250 anos de um acontecimento que mudou o rumo da civilização: a instalação, em 1776, na Inglaterra, das pioneiras máquinas a vapor desenvolvidas pelo engenheiro escocês James Watt, marco histórico da Primeira Revolução Industrial.
Foi um ponto de inflexão a partir do qual a humanidade acelerou sua evolução em ritmo jamais visto. Em apenas dois séculos e meio, as mudanças econômicas, sociais e tecnológicas superaram tudo o que havia ocorrido ao longo de milênios da História. A Primeira Revolução Industrial abriu as portas da mecanização. O tear mecânico tornou-se o grande símbolo daquele período, enquanto os motores a vapor impulsionaram fábricas, navios e ferrovias, encurtando distâncias e multiplicando a capacidade produtiva.
Mais tarde, entre a segunda metade do Século XIX e o início do XX, a eletricidade inaugurou uma nova etapa da industrialização. Foi o período da produção em massa, das linhas de montagem e da expansão dos bens de consumo. A indústria automobilística ganhou escala, os custos caíram e métodos produtivos como fordismo e taylorismo transformaram a organização do trabalho e a eficiência das fábricas.
Depois da Segunda Guerra Mundial, veio a Terceira Revolução Industrial, sustentada pelo avanço da eletrônica, da informática, das telecomunicações e da automação. A tecnologia digital remodelou processos produtivos, reduziu custos, ampliou a produtividade e fortaleceu a globalização econômica. Máquinas passaram a executar tarefas programadas e o chão de fábrica ingressou na era da tecnologia.
Hoje, vivemos a Quarta Revolução Industrial. Inteligência artificial, internet das coisas, computação em nuvem, sensores, robótica avançada, análise de dados e integração digital redefinem sistemas produtivos, cadeias logísticas e modelos de negócio. O conceito de fábricas inteligentes, capazes de monitorar e ajustar seus próprios processos, deixou de pertencer ao imaginário futurista e passou a integrar a realidade de inúmeros setores.
O Brasil, porém, precisa evitar o risco histórico de chegar atrasado mais uma vez a uma transformação decisiva da evolução industrial. Não teve culpa na primeira vez em que perdeu essa oportunidade, pois no período colonial as atividades manufatureiras enfrentaram severas restrições impostas por Portugal. Apenas após a chegada da Família Real, em 1808, surgiram algumas fábricas. Agora, é diferente. Somos uma nação soberana para decidir nosso destino.
Por isso, temos a obrigação de promover o fomento do setor, crucial para nosso desenvolvimento. Seu salto mais significativo no País ocorreu depois da Primeira Guerra Mundial, quando as dificuldades de importação estimularam o fortalecimento da produção nacional. Foi nesse contexto que nasceu, em 1928, o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, criado para apoiar uma atividade estratégica para o crescimento econômico sustentado, a inovação, a renda, a competitividade e a geração de empregos em larga escala.
Apesar dos avanços conquistados ao longo do Século XX, a indústria perdeu espaço na economia brasileira nas últimas décadas. Sua participação no PIB caiu de cerca de 25% para 11%, reflexo do agravamento do chamado “Custo Brasil” e da ausência de políticas consistentes para seu fortalecimento. Numa estranha falta de visão histórica mais aguçada, acreditou-se em nosso país, nos anos 1980 e 1990, na falsa premissa de que, em um mundo globalizado, a força industrial deixaria de ser prioridade estratégica para as nações.
A equivocada percepção custou caro. Por isso, o País precisa avançar de modo rápido em um novo ciclo de reindustrialização, como defendem as entidades representativas do setor e como preconizam programas de estímulo, a exemplo da Nova Indústria Brasil (NIB). Entretanto, não bastam iniciativas pontuais de governo. É indispensável estabelecer políticas de Estado permanentes, capazes de assegurar segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade para investimentos de longo prazo.
Ao mesmo tempo, é necessário enfrentar os obstáculos históricos que comprometem a competitividade nacional: burocracia excessiva, juros elevados, insegurança jurídica e pública, dificuldade de acesso ao crédito, sistema tributário complexo, infraestrutura precária e logística cara e ineficiente. Nenhum projeto empresarial consistente prospera em um ambiente hostil aos negócios e à produção.
O lado positivo é que o Brasil reúne atributos relevantes para assumir papel de destaque na Indústria 4.0. Contamos com um mercado consumidor expressivo, matriz energética limpa, agronegócio competitivo e capaz de atender à demanda de matérias-primas, riqueza mineral, competência tecnológica e forte capacidade empreendedora. Assim, temos a obrigação de aproveitar a janela histórica aberta pela presente revolução industrial para nos tornar um dos grandes protagonistas globais neste século.

Rafael Cervone, engenheiro têxtil formado pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
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