– Por ocasião da vigência provisória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), há dois dados fundamentais para evidenciar as oportunidades, os riscos e o protagonismo do Brasil. O primeiro é que, no conjunto das 32 nações signatárias (cinco do nosso bloco, já considerando a incorporação da Bolívia, e 27 do Velho Continente), a economia brasileira é a quarta maior, atrás apenas da Alemanha, da Itália e da França. O segundo é que nossa população, de 213 milhões de habitantes, é a mais numerosa, representando cerca de 30,5% das 700 milhões de pessoas que constituem o mercado abrangido pelo tratado.
– Essa primeira etapa abrange a redução de tarifas, compras governamentais e facilitação do comércio. Os europeus podem comprar nossos produtos com alíquotas zero ou reduzidas, mas não são obrigados a fazê-lo. Assim, se mesmo com as isenções e diferimentos, as nossas mercadorias e bens, carregados de todos os pesos do “Custo Brasil”, continuarem mais caros do que os asiáticos e de outras regiões, seguiremos com a competividade limitada.
– Outra questão é a reciprocidade. Ou seja, a UE também terá tarifas zero e alíquotas reduzidas para exportar ao nosso país. Assim, nossos produtos precisam de um rápido e significativo ganho de competitividade, pois é óbvio que todos os signatários estarão de olho muito grande no nosso mercado.
– Precisamos, portanto, avançar na solução dos obstáculos que oneram nossa produção, como burocracia excessiva, altos impostos, infraestrutura deficiente, baixa produtividade, encargos trabalhistas maiores do que na maioria dos países, insegurança jurídica e pública. Além desses gargalos estruturais, há os entraves conjunturais dos juros exagerados, instabilidade cambial e rombo fiscal.
– Tais soluções, aliás, também se tornaram prementes no âmbito de toda a economia global, considerando o acirramento das disputas comerciais e o quadro geopolítico muito complexo. Sem dúvida, é cada vez mais imprudente não ser competitivo.

Rafael Cervone é o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
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