
Ler um livro é uma experiência. A cada página, você se depara com muitas conexões, emoções, culturas, vidas, imaginações, pinturas… é quase um relacionamento com a personagem ou o autor, com aquela sensação de ele estar ali, perto de você. Viajamos pelo mundo e preenchemos nossa alma, nossa mente. A única necessidade que fica no final é a de compartilhar com alguém.
Na tenra juventude, li uma saga com mais de dez volumes que me deixou perplexo com a morte de uma das personagens. Houve um minuto de silêncio, lamentações, respeito e memória por aquela vida que se foi.
É como ler poesia: quando foi que uma estrofe elevou seus pensamentos, tirou seus pés do chão, fez você mastigar por um bom tempo cada palavra? Fernando Pessoa que o diga, quando ousou escrever: “Quem escreverá a história do que poderia ter sido? O irreparável do meu passado. Este é o cadáver…” Quem nunca desejou voltar atrás e bateu o rosto nesse tempo intransponível?
C. S. Lewis, em As Crônicas de Nárnia, trouxe a profunda reflexão de uma princesa que, ao se deparar com seu erro e com o impacto disso no outro, Shasta, perguntou a Aslam após arrependida, o que ele havia sofrido. Contudo, naquele momento, o Leão deixou claro que não havia nada que ela pudesse fazer; nada mais lhe competia. O enredo que se deu após isso caberia somente àquele menino.
— A cada um se contará a sua história — disse o bichano.
Há uma escolha que cabe a cada um. Ninguém é, absolutamente, vítima de tudo. Há uma liberdade individual. Há mérito. Livros como esses, quando chegam ao fim, são uma despedida. É como se disséssemos um adeus, sabendo que fará falta.
Livros acadêmicos são um desafio, uma investigação, novas lentes para um mundo que teima em mentir ser preto e branco. Neste dia 3 de maio, o geógrafo Milton Santos completaria 100 anos. Deixou um legado com suas publicações entre livros e artigos. O professor baiano escreveu que o “lugar é o eixo das coexistências”. O mundo é objetivo, mas principalmente intersubjetivo. Atingimos uns aos outros enquanto pessoas, enquanto sociedade, enquanto empresas, enquanto política. Há uma realidade que é coletiva e que não deve ser desprezada.
A finalização da leitura de um livro acadêmico é uma conquista. Nenhuma leitura deixa nossa mente no mesmo formato antes de abrirmos as páginas. Leitura é profundidade, é colocar razão e emoção nos devidos lugares, é, ao mesmo tempo, acender as chamas de nossa existência. É terapia, é saúde mental ao nos desacelerar, é prazer, é descobrir que sentimentos quaisquer têm o seu lugar, no devido tempo, na duração devida.
O leitor, quando entra no mundo das páginas, aprende a viver consigo mesmo, sem estar sozinho.

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba. @semanariojornal
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