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Vale a pena sacar o auxílio emergencial do FGTS?

Com o início do pagamento, nesta segunda dia 29/06, da primeira parcela do auxílio emergencial através do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço de até R$1.045 todo o cuidado é pouco na hora de utilizar estes recursos. Em razão da pandemia do coronavírus muitas famílias tiveram uma redução drástica na geração de sua receita mensal pois, precisaram ajustar seus salários, tiveram contratos suspensos, e infelizmente, há uma parcela de mais de 1,4 milhão de pessoas que estão, neste momento em busca de uma nova recolocação no mercado de trabalho ou que tiveram que encerrar seus negócios por não poderem abrir as portas ao público.

Levando em conta que teremos uma vacina somente em meados de 2021, não seria este momento a hora mais adequada de sair às compras e gastar o benefício com coisas desnecessárias e nem com supérfluos, mesmo que, você seja muito tentado a fazer isso. Não é o momento de trocar de celular sem necessidade, de comprar um carro novo, um lindo sapato ou um vestido já que a possibilidade de desfilar com os mesmos continua sendo bastante remota, sem contar que o vírus ainda continua circulando em todo o país, em trajetória ascendente, apesar de muitas pessoas ainda negarem as mais de 60 mil vidas perdidas ao longo destes 100 dias completados de pandemia.

Quanto as oportunidades de resgatar o FGTS podemos dizer que elas não são muitas já que só é permitido fazer uso do mesmo em casos de demissão sem justa causa, aquisição de imóveis, doenças graves, pagamento de parcelas de financiamento imobiliário e portanto pode ser uma boa chance para aquelas pessoas que buscavam liquidez para este dinheiro que estava parado com o governo e que viram nisso a possibilidade de sacá-lo seja para emergências reais seja para investir em outro tipo de aplicação financeira.

Caso este resgate não seja necessário por parte do trabalhador e com a queda nas taxas de juros o rendimento do FGTS, por incrível que pareça, passou a ser mais atrativo até do que a própria Caderneta de Poupança, já que a correção deste dinheiro salvaguardado pelo governo se dá a uma taxa de 3% + TR (Taxa Referencial), enquanto que, a Poupança remunera atualmente a uma taxa de 1,57% ao ano, ou seja, 70% da taxa básica de juros atual (Selic), que está em 2,25% ao ano, mais a Taxa Referencial.

Segundo as regras criadas a partir de 2012, caso a Selic fosse igual ou inferior a 8,5% ao ano a remuneração da mais tradicional e popular aplicação financeira do país passaria a ser subordinada a esta nova metodologia de cálculo proporcionando com isso, neste momento de queda de juros, um rendimento 48% inferior em relação à rentabilidade proporcionada pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Porém, se o seu caso é como o de milhares de brasileiros que necessita fazer uso “pra ontem” do auxílio emergencial seguem algumas dicas importantes:
Priorize as contas de seu consumo básico que possam estar em atraso como energia elétrica, condomínio, aluguel e gastos com saúde e educação;
Faça um levantamento das dívidas com maiores taxas e prazos, que muito provavelmente, serão o cartão de crédito e o cheque especial e tente renegociá-las, quitá-las ou abater uma parte delas;

Faça um detalhamento do seu orçamento doméstico e verifique quais itens podem ser ainda enxugados como gastos com telefonia celular, TV por assinatura e planos de dados/internet, gastos com deliveries;
Antes de adquirir coisas que não sejam de necessidade básica ou sair às compras on-line ou num shopping, até porque não é o momento de passeios, mas dê atenção à saúde e às pessoas, faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  • Eu realmente preciso disso?
  • Quais são as minhas maiores prioridades neste momento de pandemia?
  • Eu posso assumir mais um compromisso financeiro além dos que já possuo atualmente?
  • Estou seguro de que nos próximos três a seis meses não perderei minha principal fonte de renda?
  • Tenho um plano B caso algo aconteça?
  • Tenho alguma reserva de emergência caso a pandemia se estenda por um período maior do que 1 ano?
  • Que lições eu aprendi, até então, para que possa fazer um bom uso do auxílio emergencial?
    Respondida estas perguntas fica mais fácil identificar o melhor destino a ser dado para este dinheiro e de como gastá-lo e investi-lo da maneira mais adequada para que possa atravessar a pandemia com um pouco mais de equilíbrio financeiro sem nunca se descuidar de nosso bem mais precioso e que não tem preço que é a nossa saúde.
    Fique bem, cuide-se e use máscara pois, ela protegerá você e o seu bolso em caso de descumprimento da nova regra imposta para o Estado de São Paulo cuja multa é de R$524.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP®, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações.

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