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Um mico em Nova York

Esther Rosado – Colunista

Fiquei ouvindo o discurso Poliana moça, no mundo do faz-de-conta do Bolsonaro; por um instante, juro, imaginei que (eu) estivesse doida de pedra. No meio desses escândalos todos revelados pela CPI da Covid, da crise hídrica, da vida virada do avesso, dos 14 milhões de brasileiros desempregados e à deriva, da fome, da Bolsa de Valores, dos ataques ao STF e a tentativa do retrocesso para voto em papel a fim de que se fraude, o presidente discursa na ONU.

O primeiro choque percebido por mim parece ter sido clarear os cabelos e dar ares de seriedade: as cãs embranquecidas. Discursa olhando para o teleprompter, fala como se não falasse, tropeça na língua, a Amazônia preservada, o presidente que crê em Deus (só mesmo crendo em Deus, nos Arcanjos e nos Santos Anjos neste país) e na família (não vou dizer o que penso aqui porque posso ser presa).

Meu estômago anda pagando caro por tudo quanto anda acontecendo neste país verde e amarelo e eu jamais entenderei por que eles dizem e repetem que a nossa bandeira jamais será vermelha; alguém quer trocar o verde e amarelo da bandeira? Um estilista novo, um designer meio maluco que queira entornar o caldo? Não, apenas medo do socialismo, comunismo e etc, tal qual declarou naquele púlpito da ONU. Era para atacar a China?

Meu estômago dói ao ver a cambada comendo na calçada porque não puderem entrar no restaurante; o que sobrou de mim grita de dor e de vergonha vendo o Queiroga fazendo gestos obscenos, arminha e o resto que vocês também viram. Queiroga que, segundo a imprensa, sabia que estava com Covid 19 e não se vexou ao apertar a mão do primeiro ministro inglês. Crime, cometeu um crime.

E o Bolsonaro negando ter tomado vacina, discursando alopradamente para um público boquiaberto, culto, inteligente, crítico. Os jornais do mundo inteiro criticaram as informações não verdadeiras contidas no discurso. Nunca passei tanta vergonha alheia nesta vida.

E os sorrisos, as tentativas de parecer íntimo dos poderosos, a necessidade de se exibir e exibir o país?  Leio os jornais, calo-me diante do delírio, da insensatez. Uma desesperança quase me abate. Mas, aqui, ó (digo isso dando uma banana para esse povo), não vou desabar, não desta vez.

Parece uma personagem de um stand up sem pé e sem cabeça, não, não… parecia um discurso do Maduro há tempos, a Venezuela morrendo de fome, desemprego e etc. e o sujeito contando lorotas. Triste ler que fomos motivo de piadas na tevê americana e do mundo todo. Pi-a-da!  Acaba de criar uma crise institucional investindo contra o Supremo e seus ministros e depois vai à ONU dizer que aqui há respeito à Constituição.

Ouvindo tudo aquilo, por um instante imaginei tratar-se de um pesadelo. Mas não era.  Um presidente com a reputação caindo aos pedaços, filhos que estão por um triz do despenhadeiro da vida, tudo  isso me mostra que ainda estou lúcida.

O mico dos micos aconteceu: o ministro Queiroga é pego com Covid em Nova York. Mais: o prefeito da cidade advertiu nosso presidente, puxou a língua do representante máximo do Brasil.

No entanto, defendo Bolsonaro, não sabe inglês nem tem por que saber. O prefeito de NY também não sabe português. E aquele sorrisinho estranho do chefe máximo (ele que disse isso numa declaração de cercadinho)? Aquilo ficaria ótimo para receber amigos na porta dos churrascões com a galera. Mas foi usado na ONU. Alguém precisa ensinar que publicamente a gente não comete vulgaridades quando já morreram 600 mil brasileiros de Covid e o Brasil, literalmente, está à míngua. E que, sobretudo, rolezinhos internacionais onerarão os brasileiros: seu Queiroga passará dias num hotel brasileiro às nossas custas. Em quarentena paga com o meu e o seu dinheiro. O ministro da Saúde com Covid em NY. Esse povo todo, por isso tudo, um dia vai se dar mal.

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