Acompanhe aqui os números da COVID-19 em Jacareí

Tudo e o artigo 5º. da Constituição Federal

Não, não, cachorros, não me olhem com esse olhar tão triste quando saio à rua; parece sempre a mim que estão famintos ou que pedem socorro porque o mundo é vil e as pessoas estão doentes de afeto, mentindo e lutando contra até os mais próximos, acusando mães e pais, deixando de ter respeito emocional e apostando na violência.

Universo, não  deixa que eu veja  as árvores que tombaram no vento e que mostram o seu lado de dentro sangrando, dezenas de anos de construção do tronco, galhos revirados e folhas e flores por nascer.

Mulheres com seus pequenos filhos com fome, não, não me olhem porque me sinto covarde, impotente e  sem rumo quando vejo em vocês os olhos plenos de água, as mão trêmulas e a boca infeliz.

Não se permitam teatros vazios e shows de besteirol lotados, com gente balançando a bunda e letras de música absolutamente sem importância ou contributo social  que nos tire da miséria e da ignorância.

Não se permitam , deuses, prisões arbitrárias apenas porque alguém é negro, negativa absurda da existência das criaturas como se fôssemos todos brancos  num mundo onde a diversidade enriquece e ensina a todos a alegria e a coragem de conviver.

Não se aceite  mais, nesta sociedade de que fazemos parte,  alguém ser tratado com violência ou ausência de dignidade porque tem orientação sexual diversa.

Permitam, deuses,  que o planeta Terra evolua, que sejamos, de verdade, seres rumo  a algo que se chama paz, palavra hoje banal.

Que a ninguém seja permitido colocar uma pessoa na parte traseira de um camburão para ser asfixiado por um artefato de gás, lembrança miserável da época do nazismo. Que se julguem os infratores contra a vida.

Que o amor não seja apenas uma palavra nas pregações das igrejas, mas um caminho para a nossa emancipação da selvageria que hoje atravessamos todos no deserto da inconsciência.

E que o direito do outro, reconhecido na nossa Constituição Federal , no artigo 5º., seja também reconhecido  e exercido por nós. Que as nossas diferenças nos reaproximem uns dos outros  é tempo de mudanças. Que o choro do outro seja o nosso choro.

Que as guerras acabem e que  as armas não façam mais parte do cotidiano, sequer o mal, sequer a morte cruel, sequer a destruição do planeta Terra.

Amém.

Deixe uma resposta

Top
WhatsApp chat
%d blogueiros gostam disto: