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Todo mundo conhece e quer demais – Esther Rosado

Vivemos de pequenas esperanças, e quem não sabe disso? E delas nos nutrimos sempre.
Imaginamos que tudo vai mudar , sararemos brevemente daquela doença, ganharemos mais e mais dinheiro, e viajaremos nas férias, comeremos amanhã, nossos filhos terão melhores escolas, não haverá falta de empregos, poderemos reformar nossas casas, e que tudo estará bem amanhã.
Esperança é o que nos alimenta, nos agasalha o peito humano e nos guarda da morte iminente, por desgosto, descrença ou desamor dos outros.
E quando a vida se parte em milhares de fragmentos, juntamos os cacos, recompomos os dias e seguimos em frente porque somos os esperançosos de sempre.
Diz o velho ditado popular que a esperança é a última que morre. E acreditamos piamente nisso.
A gente até pode envelhecer por fora, esta coisa inexorável que é o tempo, mas por dentro somos todos meninos e meninas e acreditamos que o horizonte é logo ali, depois do rio Paraíba, depois da ponte, depois da colina, em Paris. Será?
Esperamos todos os dias:poder ver o mar (tão perto!), visitar um amigo querido ( tão longe!), conversar, rir, estar na vida. Quando uma coisa qualquer nos alcança e nos transtorna, lá estamos nós a postos, cheios de esperança: vai passar, vai passar…
E de onde tiramos tanta vontade de estarmos vivos e na luta, de buscarmos a felicidade sem descanso? Da esperança, essa abstração, esse abismo, esse desconhecido de que julgamos possuir a chave para abrir a porta…
É o que nos alimenta nos dias frios e cinzentos, nos dias de céu azul e sol amarelo, quando florescem todas as flores, quando caem as tempestades e as fúrias.
E nutridos por ela, reiniciamos ciclos. Esperança é coisa de que ninguém prescinde . Quando deixamos de ter, paramos de sonhar. E morremos. Nos calamos, não amamos mais. Esperança é como felicidade: ninguém explica. Mas todo mundo conhece, precisa e quer demais.

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