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Sindrome do Pânico e as Manifestações do Sofrimento Psíquico

*Por Odete Guerra

O que acontece quando somos surpreendidos pela vida com sintomas que ultrapassam a nossa capacidade mental para lidar com eles?

Odete Alves Guerra

Recentemente escrevi sobre a vida do campeão brasileiro de triatlo e atleta dos jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata, na Argentina, em 1995, Antônio Massur. Nessa conversa, ele falou dos esforços e desafios alcançados nos anos de carreira como atleta, bem como das conquistas profissionais e da vida pessoal, quando se deparou com uma condição inusitada e obscura, que escapava à sua compreensão: uma crise de pânico, cuja experiência lhe causou a perda do controle emocional, uma crise de desorganização mental.

Caracterizada como um transtorno psicológico pela ocorrência inesperada e predomínio de sintomas físicos e psicológicos, como: intensa ansiedade, dor no peito, sensação de desmaio, ânsia de vômito, medo de morrer, pensamentos catastróficos, medo de perder o controle ou de enlouquecer, taquicardia, respiração curta, entre outros. A síndrome do pânico simboliza o medo que paralisa, num movimento de pensamentos catastróficos e de impotência, medo irracional do não saber do futuro.

É importante, aqui, esclarecer que a diferença entre ansiedade, ataques de pânico e síndrome do pânico está na intensidade dos sintomas, na imprevisibilidade de sua ocorrência e no sofrimento. Enquanto a ansiedade tem causas mais lógicas e concretas, como um desafio a ser enfrentado, uma entrevista ou uma situação delicada que está para ocorrer, a síndrome de pânico inclui a ocorrência de ataques repetidos, não tem hora nem motivo específico para começar. Já o ataque descreve uma única ocorrência.

 Qualquer pessoa está sujeita a uma eventual crise generalizada de ansiedade, seja ela bem-sucedida ou não, e nos mais variados contextos e circunstâncias.

A ciência afirma que diversos fatores podem influenciar as crises de pânico, tais como, a genética, o tipo de perfil psicológico, o estresse e as mudanças inesperadas que ocorrem, como uma reação a episódios e situações específicas, imbuídas de emoções intensas, muitas vezes inomináveis. A pessoa passa a viver com uma expectativa ansiosa, temendo ter novas crises “medo de ter medo”.

Geralmente, a pessoa não consegue traduzir ou processar suas sensações, transformá-las em entendimento ou pensamento. Assim, comportamento de tendência à preocupação excessiva, necessidade de estar no controle da situação, expectativas altas, morte ou situação de doença de um ente querido, negação de que haja algo de errado, repressão de sentimentos pessoais negativos, perfeccionismo e má aceitação de erros, transição de vida ou de carreira de forma abrupta, são exemplos de gatilhos de uma crise.

No caso de Mansur, com o decorrer dos treinos e do trabalho, foi se impondo muita exigência no desempenho, a obrigação obsessiva lhe roubou o prazer e o entusiasmo naquilo que de início lhe dava satisfação e vitalidade. A expressão da sobrecarga mental, dos limites da sua mente e do corpo se fez presente. Afinal, o corpo fala.

Com a crise de pânico, seu corpo mimetizou a angústia desencadeada por medo de perder a si mesmo, perder o controle sobre os seus pensamentos e sentimentos diante das exigências do mundo externo como interno. Assim, o caminho naquele momento, não foi dos treinos e sim em direção a si mesmo. Sabiamente, foi buscar ajuda profissional para entender seus pensamentos e sentimentos.

Quando nos desafiamos de maneiras novas, tanto mental quanto fisicamente, há um impacto. Sentimentos e emoções são mobilizados e as mudanças na vida podem ser assustadoras. Às vezes, achamos que temos tudo sob controle, acreditamos controlar a própria vida, mas, quando os sintomas surgem e assustam, essa convicção se evapora.

Muitas pessoas convivem silenciosamente com este distúrbio, por falta de informação ou de condições de pedir ajuda a um especialista. A avaliação psicológica e ou médica é de suma importância para o diagnóstico, além de diferenciar a ansiedade de uma crise de pânico. Isto, certamente, poderá indicar o tratamento mais adequado.

Não hesite em cuidar da sua saúde emocional!

Odete Alves Guerra é psicóloga

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