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Será que o Brasil, no combate a pandemia, pode ser realmente um exemplo para o mundo?

*Por Rogério Nakata

Após 1 ano e 1 mês desde a decretação da pandemia mundial a ciência aprendeu muito a como lidar com o vírus e conseguiu, em tempo recorde, produzir aproximadamente uma dezena de vacinas para combater essa terrível doença que já interrompeu, somente no Brasil, quase 360 mil vidas, mas pelo outro lado, esta mesma ciência não foi suficientemente capaz de compreender, até agora, o comportamento de algumas pessoas que ainda insistem em não usar máscaras, a não respeitar o distanciamento, nem as pessoas e pior, muitas destas, ainda contra o único tratamento precoce comprovado por todas as autoridades científicas e de saúde do mundo que são as vacinas. Diante do ainda negacionismo e de alguns médicos que mais parecem feiticeiros, vemos boquiabertos, cada vez mais incidentes como as das cinco vítimas de Manaus, dentre elas uma grávida e outras três pessoas no Rio Grande do Sul que foram submetidas, em caráter experimental, a um procedimento de nebulização com hidroxicloroquina e que, infelizmente, vieram a óbito. Mesmo após ocorrências tão trágicas o governo federal parece querer insistir em nebulizar não somente os pulmões, mas a mente dos brasileiros com a hidroxicloroquina e com a ivermectina e se, fosse possível, utilizaria até um caminhão fumacê de combate à dengue para “imunizar” seus cidadãos. Tudo isso faz com que se gere uma falsa mensagem de segurança às pessoas que continuam a se entupir com o chamado “tratamento precoce” que além de ser cientificamente desqualificado pelos mais respeitados órgãos internacionais como o FDA e o CDC nos Estados Unidos, a EMA na União Europeia e a própria Anvisa no Brasil, acabam causando ainda mais confusão sobre o combate à doença e ocasionando estragos à saúde que, em sua maioria, serão observados somente mais à longo prazo. E para potencializar tudo isso ainda é necessário combater o vírus da enxurrada de Fake News que contaminam todos os dias as redes sociais e nossos WhatsApps e que começam a ser contidas pelas bigtechs como o Facebook e o Twitter com a retirada de 1,5 bilhão de contas de notícias falsas sobre a covid pelo Face. E como não haveria de ser diferente há também os oportunistas que se aproveitam para divulgar este tipo de notícia, além de venderem seus cursos sobre “saúde” sem nunca terem exercido a medicina ou obtido se quer um diploma de nutrição, fazendo uso dos tais “estudos randomizados” que demonstram os efeitos dos medicamentos que teriam efeito contra a Covid-19 como a hidroxicloroquina e a ivermectina. Estudos estes sem métodos claros, com análises fundamentadas em meio a outras sem o mesmo rigor, como pesquisas preliminares ou que ainda não foram revisadas por outros cientistas e, onde outras tem seus resultados alterados mesmo com evidências de que tais medicamentos não funcionam. Não é à toa que viramos chacota e de piada para o mundo e prova disso foi o que ocorreu nesta semana no parlamento francês onde seu primeiro-ministro, Jean Castex, citou o fato de o Brasil ser o país que, segundo ele, mais prescreve hidroxicloroquina no mundo e por conta disso fomos motivo de gargalhadas pelos parlamentares presentes em sessão já que por lá o medicamento TAMBÉM NÃO É APROVADO pelas autoridades de saúde do país. Consequências disso, o governo da França suspendeu todos os voos entre França e Brasil, em razão da variante P1 do coronavírus e, com isso, a cada dia vamos ficando mais isolados do mundo já que hoje somos considerados um dos maiores celeiros da Covid-19 e uma ameaça sanitária real para os demais países. Para não dizer que o Brasil é o único gerador de novas cepas temos também uma outra variante extremamente contagiosa que é de origem sul-africana. Outra nação que começa a ter severas dificuldades, semelhantes as nossas como a falta de leitos e medicamentos é a Índia, tão citada pelos “cloroquiners”, já que diziam que o baixo número de infectados e de mortes era em decorrência de que o país é um dos grandes fabricantes e usuários da cloroquina, sendo que, somente na quinta-feira foram registrados mais 200 mil casos em um único dia, sendo que sua população possui mais de 1 bilhão e 366 milhões de habitantes e, portanto, gera-se uma grande preocupação para a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre como serão os próximos episódios por lá.

Enquanto por aqui continuamos a correr para o lado errado, países que deram um passo para o lado certo começam, mesmo que de forma ainda controlada, a retomar suas economias demonstrando que medidas mais rígidas (lembrando que o Brasil, com exceção de algumas cidades como Araraquara, nunca fez lockdown, porém o que foi proposto foram medidas restritivas que é algo, muito mas muito diferente do que se fez lá fora) somadas a uma rápida e eficaz vacinação de sua população adulta se mostrou ser o caminho CORRETO para voltar à uma vida mais próxima do normal, como é o caso de Israel e Reino Unido que começou, a até mesmo, a reabrir não somente suas lojas mas também seus clássicos e frequentados pubs. Já no Brasil, além do maior número de média de mortes no mundo com mais de 3 mil casos por dia faltam também vacinas, leitos, oxigênio e agora também o desabastecimento dos chamados kits para intubação. Somente no Estado de São Paulo há 160 hospitais com medicamentos para apenas 3 dias segundo dados da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp).

O que é preciso entender também, diante de todo este colapso no sistema de saúde, que não há como abrir mais leitos sem profissionais que possam estar devidamente preparados e com experiência em intubação, por exemplo, que é um dos procedimentos de maior risco na medicina intensiva e que segundo dados de um levantamento realizados pela BBC News Brasil de cada 10 intubados em 2020, infelizmente 8 vieram a óbito por complicações da covid, dentre eles estão o meu próprio irmão que faleceu no dia 05/02, aos 42 anos de vida e sem qualquer comorbidade anterior a doença. Para a economia do país também é um desastre porque quando não há uma sintonia entre prefeitos, governadores e o governo federal o que mais se geram nestes relacionamentos são ruídos e as pessoas nos leitos dos hospitais não tem tempo para esperar o barulho baixar. E os números de que não fizemos boas escolhas estão aí para não me deixarem mentir pois, segundo a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) o Brasil é a ÚNICA economia do mundo em desaceleração caindo 0,32%, enquanto, os demais países como China, Índia e Rússia tiveram alta respectivamente de 0,36%, 029% e 026%.

Por fim, a culpa não pode ser atribuída a somente uma pessoa pela grave crise que enfrentamos, mas a todos aqueles que de forma intencional se sujeitam a se expor ao vírus ao participarem de uma balada ou até, mesmo se aglomerando em cultos religiosos, que por mais duro que isto possa parecer ou de dizer não é o momento para nos descuidarmos e de colocarmos em risco nossas vidas e muito menos a de parentes ou de nossos irmãos mais fraternos. Porém, como tudo vem do exemplo, a autoridade máxima da nação precisa se portar como num provérbio romano onde diz que a mulher de César não basta ser, mas também precisa parecer honesta, ou seja, não basta dizer o que as pessoas devem fazer para combater a disseminação do vírus, mas dar sim, a sua devida contribuição moral de como se portar diante de uma pandemia que de longe deixou de ser uma simples “gripezinha”.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações.

E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br

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