Reabertura comercial – Como será este Novo Normal?

Rogério Nakata

Com o início da reabertura econômica todo cuidado ainda é pouco com relação a covid pois, apesar de uma parte do comércio, empresas e mesmo locais de grande circulação, como os shoppings, voltarem a abrir, com suas devidas restrições, não significa que é um salvo conduto para que nos descuidemos do distanciamento entre as pessoas, assim como está ocorrendo em países que estão retornando aos poucos a este Novo Normal, só que com uma grande diferença em relação ao Brasil, que é a de tomarem a decisão de fazerem isso após uma drástica redução na curva de contágio. A utilização de máscaras em todos os locais públicos, inclusive praças públicas, respeita não somente a sua saúde mas também a dos outros, ou seja, ao utilizar este equipamento de proteção individual é mais do que uma questão de saúde pública mas também de educação e amor ao próximo, nem que este próximo, não seja assim, tão próximo a você como um parente querido ou um amigo. Com a pandemia, a saúde e a economia viraram o centro das discussões em todo mundo e não é para menos, já que só no Brasil, ultrapassamos mais de 30 mil mortes contabilizadas e quase 600 mil pessoas contaminadas pelo corona vírus (sem levar em conta os casos de subnotificação, tanto pela contágio, como pelas mortes por falta de testes). Quanto aos aspectos econômicos está cada vez mais claro que alguns setores terão maiores desafios do que outros principalmente aqueles que dependiam de uma grande rotatividade e até “aglomeração” de pessoas num mesmo ambiente como, por exemplo, o seguimento de transportes, bares e restaurantes, vestuário, hotelaria e turismo, sendo este último, responsável por outros 52 setores ligados ao mesmo.

Estudos internacionais estimam prejuízos para o comércio no mundo na ordem de 320 bilhões de dólares por trimestre o que equivale a cerca de 1 trilhão por ano. O que pode-se perceber nestes quase 90 dias de isolamento social é que tudo aquilo que estava sendo previsto para acontecer daqui há 5 anos foi antecipado e muitas empresas sejam de pequeno, médio e grande porte se viram na necessidade de investirem em meios digitais para continuarem vendendo seus produtos e serviços pela Internet ou através de aplicativos já que as pessoas estão, na sua grande maioria, em casa e os estabelecimentos estavam, até então, impedidos de abrirem as portas em razão da busca pelo Estado e pelo município da redução da curva de contágio.

Com a abertura aos poucos da economia seguindo regras das autoridades de saúde e conforme planos de restabelecimento gradual das atividades comerciais proposta por governadores e prefeitos devemos, ainda sim, manter as regras de isolamento, distanciamento social e principalmente o uso de máscaras. Tudo isso, porque a manutenção das atividades econômicas estará diretamente ligada ao número de leitos que cada cidade terá para atender os casos mais graves da covid. Então, caberá a cada um de nós preservarmos estas condições já que muitas famílias e negócios precisam, forçosamente voltarem às atividades, mesmo que timidamente, já que nem todos conseguiram acesso ao auxílio emergencial e alguns que foram aprovados indevidamente, mesmo sabendo que não teriam o direito, prejudicam por sua vez aquelas que realmente necessitam, fazendo com que a única opção das pessoas seja retornar ao trabalho. Somado a isso, micros, pequenas e médias empresas não puderam, até agora, contar com o crédito bancário mais desburocratizado já que, por lei, são exigidos uma série de garantias para a liberação do empréstimo pois, do outro lado, os bancos também não contam com o apoio do governo federal para que se pudessem reduzir as exigências citadas. Mesmo sabendo disso, acredito que valha pena destacar uma frase interessante que diz que um banco nada mais é que um estabelecimento que nos empresta um guarda-chuva num dia de sol e nos pede de volta quando começa a chover.

Para aqueles que conseguirem superar o desafio da pandemia, que conforme prevíamos em um artigo anterior e que continuamos vivenciando uma tempestade perfeita cuja soma é uma crise na saúde, na economia e na política, precisarão ser bastantes resilientes para se restabelecerem neste Novo Normal que será com menos pessoas em seus estabelecimentos, com mais cuidados com relação a saúde de seus funcionários e clientes para que as atividades não sejam mais uma vez interrompidas, em decorrência da própria falta do empreendedor a frente do negócio ou até pela ausência de funcionários que ainda poderão ficar doentes já que o vírus está por aí, circulando, contaminando e ainda fazendo vítimas até que se desenvolva uma vacina ou medicamentos eficazes para o combate ao Covid-19.

Este retorno das atividades precisa ser implementado com muita cautela, sempre baseado na ciência e em dados confiáveis pois, mais vale neste momento dar um passo para direção certa do corrermos para o lado errado para que não retrocedamos após, estes mais de 2 meses de esforços realizados através do isolamento social a qual todos nós fomos submetidos.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP®, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações.

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