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Quem matou Marielle e o uso da cloroquina-meu-amor

O MEC anunciou ontem, 8.6, os dois dias para exames: 17 e 24 de janeiro de 2021. Portanto, uma nova corrida para tirar 1 000 na redação parece, finalmente, ter sido anunciada de verdade. Os meninos e meninos de 16 e 17 anos escabelam-se agora : sete meses, uma gestação e tanto para parir um texto e iniciar uma queda de braço, pôr asas nos pés e apelar para santos, remédios, rezas e mandingas. De novo tudo começa e salve-se quem puder.

Indígenas morrem de Covid, presidente está com Covid, a vida nunca mais será a mesma depois de tudo isso, dessa pandemia que nos põe a nu e nos mostra frágeis em demasia. Jovens saem à rua e vão a bares abertos nas calçadas, sem lenço e sem documento, sem máscara e sem medo nenhum de trazerem Covid para casa e infectarem o resto da família. Os maus exemplos nos tornam insensatos.

No exame do ENEM , certamente, será perguntado como o vírus faz para se reproduzir e isso e aquilo… Na redação, o tiro certo é ética e cidadania; o eu e o mundo e etc etc e etc.

Vamos indo,o planeta se adapta, os preços sobem, engordamos 2 ou 3 quilos; Fulano é preso, o outro inventa firulas para não depor na PFederal e ninguém ainda nos respondeu a mais terrível das perguntas para nós, mulheres politizadas ou não: quem foi o filho da mãe que mandou matar Marielle Franco?

(Parei de escrever, fui ao Google e fiquei olhando o rosto dela: uns olhos de esperança, um sorriso de gente acolhedora, batalhadora e cheia de propósitos. Olhei também longamente o rosto do motorista Anderson Gomes: era tão jovem, quase um adolescente.)

Quantos brasileiros morrerão de Covid enquanto escrevo?
“Sei lá, eu não sou coveiro; isso é apenas uma gripezinha, e daí? Parece que o vírus está indo embora… com a graça de Deus viverei ainda por muito tempo.”

Tomara que sim, presidente. Primeiro porque ninguém merece morrer por Covid, segundo porque a PFederal quer ouvir o senhor, terceiro porque o senhor está tomando cloroquina-meu-amor e espero que não tenha nenhum efeito colateral. A sua foto hoje, na capa Folha de São Paulo, sozinho diante do Palácio da Alvorada, de máscara e com as mãos no bolso , me deu uma espécie de pena, de compaixão, mostrava ali a maior tragédia de um ser: sozinho, sem acompanhamento de grandes multidões pedindo o fechamento do STF e da Câmara Federal.
Sozinho.

Essa foto deveria ser estampada no tema de redação do ENEM: “Não contamine, use máscara, proteja as pessoas ao seu redor”.
Que o senhor sare logo porque tem um histórico de atleta.
Pior foi com Marielle: nunca terá Covid, mas a pessoas a lembrarão assim: uma mulher de fibra, sorrindo,firme no trabalho, planejando mudanças para um Brasil melhor.

*Esther Rosado

Foto do destaque: Marcelo Casal/Agencia Brasil

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