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QUANDO OS FILHOS SAEM DE CASA: SENTIMENTOS QUE AFLORAM.

Certamente, você já deve ter ouvido a expressão “pai cria filho para o mundo”, e, não demora para que o mundo o convide a sair do casulo e seguir o próprio caminho, começar uma nova vida, descobrir novos lugares, com outras pessoas. Seguir seus projetos de vida e voar por conta própria pode ocorrer na vida de um indivíduo por diversas razões: seja para estudar fora, em outra cidade, Estado ou até mesmo país; seja porque sentiu a necessidade de morar sozinho; seja pelo casamento; ou pelo trabalho, entre outras. E, ao mesmo tempo que o orgulho de todo o esforço e das conquistas dos filhos deixem os pais com uma sensação maravilhosa, essa saída definitiva de casa traz uma nova configuração na vida dos que ficam. Primeiramente, sente-se a casa silenciosa, perde-se a rotina de diálogos, a cama que vivia desarrumada, a cadeira que era usada como cesto de roupa suja, o som da música preferida que ressoava na casa. Alguns pais podem encarar a saída de seus filhos de casa como a independência da prole, e o fim da sua missão materna e paterna, com certa satisfação do papel desempenhado. Já outros, sentem como algo doloroso, associado à perda do papel da função de pais, e a adaptação a essa nova realidade chega, muitas vezes, com uma turbulência emocional caracterizada por sentimentos de vazio, tristeza, insônia, fadiga, e, por vezes, até angústia e depressão. Neste último caso, está-se diante de um estado emocional batizado de “Síndrome do Ninho Vazio”. Um pai ou uma mãe que se encontre em situações como esta poderá apresentar um comprometimento da sua saúde psíquica, pois tinha sua vida tão centrada nos filhos, em que a sua identidade quase se fundia com a deles. Neste giro, importante ressaltar que a identidade é um processo de construção permanente, em contínua transformação e, nesse processo de mudança, o novo – quem sou eu, agora? – apresenta-se. Uma reflexão sobre a identidade é quase sempre angustiante e dolorosa. E, no caso dos pais, muitos abdicaram e adiaram projetos pessoais, alguns até abandonam o trabalho para cuidar somente dos filhos, o que poderá mais tarde ocasionar a perda de identidade, pois os filhos eram o grande investimento das suas vidas. Contudo, a adaptação a essa nova realidade não é somente para os pais. O filho que sai de casa precisará vencer seus medos, angústias e dúvidas quanto ao voo que escolheu alçar. Decerto, nesse momento, é imprescindível o apoio dos pais para o filho fazer a travessia e sair do ninho.  Trazendo um pouco da minha experiência pessoal, digo que imaginava o dia da saída do meu filho de casa. Desde pequeno, ele tinha vontade de voar e já nos dava sinais de aprender o movimento de ir e vir, de uma forma sutil e sublime, porém, eu não me dava conta que já era um exercício de autonomia e de liberdade. E, quando esse dia chegou, confesso que fiquei impactada com os afetos embaralhados e embrulhados com as lágrimas teimando em rolarem pelo rosto.  Havia uma separação e um luto que precisariam ser trabalhados. Logo que ocorreu sua mudança, peguei-me no quarto dele olhando tudo e ali passou um filme na minha mente sobre a nossa experiência emocional e, rememorei nossa história juntos: a gravidez, o nascimento, o desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, os jogos de futebol, a primeira viagem, o ingresso na faculdade, enfim… nossa vida! Sem pressa, fui organizando os livros lidos e deixados por ele, e os muitos outros que tinha lhe dado na sua infância. Sozinha, eu sentia como se estivéssemos dialogando, uma conversa entre mãe e filho, que os laços de amor e de família estavam intactos. Então, dei-me conta da ausência viva e presente dele, da sua maturidade em viver os seus sonhos, que o pai e eu tínhamos preparado, criando-o para o mundo e para vida, para ser independente e, sem contenção, eu me emocionei. Evocou uma viagem a um novo mundo desconhecido e, ao mesmo tempo, surpreendente e cheio de possibilidades.

É certo que as preocupações continuam, mas sei o que é criar o filho para o mundo. De toda minha vivência, pude ter a certeza que a maternidade é dar confiança para que os filhos voem, e sintam que tem um ninho (metáfora de coração) sempre pronto para os acolher. Isto posto, deixo aqui uma dica, principalmente, para as mães: cuidem dos filhos, mas cuidem de suas relações amorosas; tenham projetos além de cuidar deles, pois um dia eles alçarão voos próprios. Precisaremos aprender a abraçar a distância, acompanhar o sonho e ir além da vida deles. Importante ressaltar que os sintomas envolvidos nesta síndrome são pontuais, mas se prolongados e trouxerem prejuízos, é preciso buscar orientação de um especialista, como um psicólogo.

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