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QUAL IMAGEM VOCÊ TEM DE SI MESMO?

Se eu te perguntasse quem você vê quando se olha no espelho, o que responderia? A autoimagem é um dos fatores mais importantes para a saúde mental e emocional, a arte mais difícil de responder: sou quem eu gostaria de ser? Eu me vejo como sou ou apenas vejo o que dizem de mim?  A percepção sobre si, muitas vezes, vem carregada de julgamentos, de culpa e de vergonha, como uma armadura que faz prevalecer o sentimento de insuficiência, de falha e de erro, cujas emoções refletem diretamente na incapacidade de pensar sobre si mesmo, como uma barreira que bloqueia a espontaneidade de olhar para as suas características positivas, compreender os próprios limites, bem como das relações com os outros – a pessoa tende a acreditar muito mais no que dizem sobre ela do que no que ela própria sabe sobre si. À vista disso, compreender as formas das reações e os sentimentos que as acompanham, em diferentes situações, diz muito sobre o emocional, influenciado pelo sentimento de autovalor, autoconceito, amor-próprio e autoestima aliados ao autoconhecimento. E nessa perspectiva atua a clínica psicanalítica, como um espaço de transformação. As vinhetas clínicas são oportunidades de reflexão, da qual peço licença ao leitor para tomar como exemplo a dolorosa história de uma paciente, cujo nome, por óbvio, não será revelado: a queixa era de que o marido tinha uma postura depreciativa, agressiva e de desconsideração com os seus sentimentos; sentia-se desqualificada e incompreendida em seus limites; além de ser constantemente comparada a outras pessoas. Sua reação era de desmoronamento. Vivia acuada e imobilizada, com um sentimento de profundo desamparo. Tais sensações produziram em sua mente total desorganização, de modo que foi experimentando o empobrecimento do ego, dando espaço ao vazio e à dor insuportável de renúncia de si mesma, perdendo a autoconfiança. Pelo que, num determinado momento, ao olhar seu reflexo no espelho, contemplou uma imagem esfumaçada que lhe fez indagar qual era a verdade daquilo tudo ao se perceber uma pessoa incapaz de se defender emocionalmente, em razão de sua baixa autoestima, sendo atravessada pelos sentimentos do outro. A análise possibilitou a essa paciente a compreensão das injustas atitudes do marido para desqualificá-la; bem como a incompreensão de seu cônjuge no que se referia aos seus sentimentos, seja nas acusações de não ser generosa, seja nas comparações com outras pessoas, além da falta de respeito e consideração sobre os seus limites, o que causou uma paralização mental. Compreender esse cenário – de ser depositário do reflexo que há no outro – torna o indivíduo capaz de se expressar e de enfrentamento diante das distorções psíquicas, cujas dúvidas podem gerar transformações nos vínculos capazes de revelar o potencial de resistência, restabelecendo os pontos fortes, a coragem e a determinação. A ruptura das falsas crenças sobre si mesmo promove mudanças suficientes para fortalecimento do ego e da autoconfiança porque há uma expansão da capacidade de pensar. Por isso, caro leitor, é preciso cuidar da imagem que se cria de si mesmo, porque é ela que determina as ações, as escolhas e a resiliência. É através da autoestima que se desenvolve a capacidade de defesa de si mesmo. Ao contrário, há predisposição de se apagar, de anular e de desconsiderar a capacidade emocional de pensar. Por tal razão, deve-se haver muito cuidado com o que se escuta sobre si, de modo a ser capaz de reconhecer a intenção empregada, porque, não raras as vezes, são capturados aspectos distorcidos que impedem de enxergar como se é de fato. A autoimagem é como um “espelho interno”, que reflete o pensamento sobre si próprio. Neste sentido, imprescindível salientar que transtornos emocionais e autoimagem distorcidos têm impactos diretos na maneira como as pessoas conduzem sua vida e em como se expõem ao mundo, imprescindível colocar atenção na forma como se vê, vez que a autoimagem influencia a vida social, pessoal, profissional e seus relacionamentos. E, como diz Caetano Veloso, em uma das suas canções: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

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