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Quais as consequências de um golpe para o país?

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações.
E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br

Nunca tivemos um 07 de setembro tão agitado como este ocorrido na semana passada, não é mesmo? Ao invés, de um tradicional desfile cívico onde nos acostumamos a celebrar o Dia da Independência com a família assistindo as apresentações das fanfarras municipais e das Forças Armadas e de Segurança tivemos atos a favor da gestão atual trazendo pautas como a destituição do parlamento e do Supremo Tribunal Federal tendo como alvo, ministros da corte. Tudo isso pode parecer “patriótico”, mas todas estas pautas não têm nada de democráticas em seus fundamentos e, além disso tudo, não são permitidas (as pautas) pela Carta Magna do país, a Constituição. Portanto, de nada contribuem com os REAIS problemas que o país enfrenta e com os enormes desafios ainda previstos e por essa razão não serão com as pautas antidemocráticas que chegaremos a uma solução para nossos infortúnios. Não é dissolvendo o parlamento ou impeachmando um ministro que será a solução para o desemprego de mais de 14,7 milhões de brasileiros, para a redução das quase 600 mil mortes pela covid, para a falta de vacinas para a aplicação da segunda dose, e por falar sobre isso, no feriado que era para ser mais um dia de vacinação a mesma foi suspensa em razão das manifestações, ou seja, um verdadeiro absurdo. Somado a isso, temos a crise ambiental que não é uma pauta somente do país, mas mundial, juntamente com o desafio gigantesco advindo da crise hídrica que já causam reflexos no aumento da conta de luz que desde dia 02 a taxa passou a ter um valor de R$14,20 para cada 100 kWh (um aumento de quase 50% em relação a bandeira anterior que era de R$9,49) sendo que esta permanecerá neste valor até 30 de abril de 2022, segundo a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Este é um excelente exemplo, pois, soluções como mudar o nome de bandeira vermelha para bandeira de escassez hídrica nem que fosse, até mesmo, por “razões ideológicas” de nada impedem o aumento da conta de energia e NÃO resolvem o abacaxi que o país tem em mãos já que isso gera uma série de outros desdobramentos na nossa economia. Não é quebrando o termômetro que a temperatura deixará de subir pois, para a retomada econômica será inevitável o aumento do consumo de energia elétrica para a produção de bens e manutenção dos serviços e que agora temos que torcer (mistura de ironia com preocupação) para que a economia não cresça tanto com um risco real de enfrentarmos um apagão em breve. Isso, mesmo o governo dizendo que não haverá um blackout, mas também sem descartar um possível racionamento. Tudo isso não causam somente incertezas, mas também atrasam as contratações de pessoas, sendo que, muitas estão fora do mercado desde o início da pandemia em meados do início de 2020.  Medidas de contenção de danos poderiam ter sido tomadas desde o ano passado, mas, ao invés disso, resolveu-se, como sempre, deixar para depois e contar com a boa vontade de São Pedro para que as chuvas venham e pelo visto este ano não serão suficientes para diminuir nossa aflição.

De nada adianta impeachar um ministro, invadir o STF ou o Congresso e colocar tanques na porta pois, isso NÃO IRÁ MELHORAR O PAÍS e sim pelo contrário, as consequências dos pedidos inflamados de “golpe” serão nefastos para o Brasil gerando mais desconfiança por parte dos investidores e até mesmo afugentando os investimentos estrangeiros que correspondem a mais de 50% do mercado de capitais brasileiro e, como consequência disso, menos recursos para as empresas para voltarem a crescer entrando numa espiral sem fim, ocasionando, por sua vez, mais desemprego, mais aumento da moeda estrangeira como o dólar, mais aumento de juros e A MAIS GRAVE DE TODAS que é a volta galopante da inflação, que se encontra acumulada em 12 meses em 9,68% (próximo dos dois dígitos novamente) e que afeta principalmente as classes mais pobres, que tem muito pouco conhecimento ou nenhum sobre macro e microeconomia, mas que entendem muito bem quando o seu poder de compra é seriamente afetado quando percebem, por exemplo, que o arroz e o feijão estão mais caros, que o combustível de seu veículo custa R$7,00, quando se faz necessário trocar o gás de cozinha a R$100 pela lenha de construção ou quando o kilo do músculo ultrapassa dos 40 reais. E tudo não será resolvido, apesar de muitos cegamente imaginarem, com este tipo de pauta, mas SIM com uma GESTÃO RESPONSÁVEL e com estratégias fundamentadas que vão além de uma aspiração à reeleição que deveria ser uma consequência e não uma forçação de barra para se manter no poder, seja de qualquer governo, com medidas populistas sem demonstrar de onde virá o dinheiro, que quase sempre vem pelo aumento de impostos e agora pelo calote dos precatórios. O mercado financeiro tem sempre a tendência de se antecipar a economia real e quando se tem a desconfiança de que se perdeu as rédeas do Estado e de suas contas públicas faz com que se exija mais prêmio (juros), que é a remuneração adicional exigida pelo investidor por sua escolha de investimento, em razão desta instabilidade. Quando o risco se torna muito elevado, e olha que ainda demos a sorte de não termos sido rebaixados pelas agências de risco, a segunda opção é dar preferência para outros países mais estáveis já que o investidor correrá menos risco escolhendo portos mais seguros encontrados até aqui mesmo dentro do continente sul-americano. Dito isso, quando você tem uma gestão governamental que a toda hora ameaça as instituições ela não somente causa apreensão dos mercados, mas reflete e impacta nossa vida no dia a dia seja não somente nas contas de energia elétrica, mas no preço dos combustíveis, dos alimentos, nos índices de inflação que reajustam o seu aluguel, no aumento das taxas de financiamento de quem pretende adquirir um imóvel, nas taxas de juros dos empréstimos pessoais, no aumento de preços da escola de seu filho, no preço das passagens aéreas, no frete das mercadorias, etc., etc. e isso vai parar na ponta dessa linha mais frágil, que é o consumidor final, que paga a conta no final das contas. Por fim, “dar golpe”, pedir a volta da ditadura, do impeachment deste ou daquele ministro, senador ou até a destituição de toda uma casa é fácil o difícil é o day after (dia depois) pois, assim como um fuzil não põe comida na mesa de um trabalhador a não ser que se utilize o mesmo para assaltar um banco, um tiro dado jamais volta para a arma, assim como uma palavra mau dita e “impensada” jamais volta pra dentro da boca e um golpe mal sucedido jamais se passará em branco na vida REAL e na economia de milhões de brasileiros. Antes de sairmos às ruas pedindo liberdade temos que entender todos os cenários, o passado e as consequências de nossos atos para que não sejamos, sem perceber, simplesmente manipulados perdendo a capacidade de questionar algo que está mais na cara do que nariz.

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