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Por que ficamos doentes?

*Texto de Odete Guerra

Quantas dores físicas estão relacionadas às dores da alma e do coração?

Podemos “medir” o grau de tristeza ou de sofrimento de alguém?

Odete Alves Guerra

O Dr. Marco Aurélio Dias da Silva, médico cardiologista, autor do livro publicado com o título “Quem ama não adoece”, diz que quando saiu da faculdade a ideologia informal vigente entre os colegas de profissão era de não levar em consideração as queixas ou doenças não visíveis fisicamente, pois se tinha uma visão fragmentada do homem, não considerando a interação entre os fatores psicológicos, biológicos, sociais e ambientais de cada indivíduo.

Com isto, criou-se uma cultura de se ter vergonha de falar do sofrimento gerado por doenças como: estresse, ansiedade ou mesmo de depressão, não se dando importância ao que era “invisível aos olhos”.

Tendiam a alegar uma perda de tempo que, em um pronto-socorro, por exemplo, com tanta gente em estado grave, pudesse dar atenção aqueles, que apresentavam um quadro de “peripaque” – entendido como uma crise de estresse, de ansiedade, depressão, ou mesmo o luto.

No entanto, de acordo com o próprio Dr. Marco Aurélio, o tempo foi mostrando, que tanto o que apresentava o “piripaque” quanto o que padecia de um infarto ou um câncer, tinham algo em comum: eram pessoas que sofriam! E, ainda, não apenas do sofrimento causado pela doença, mas, na verdade, de uma mesma dor interior, cuja diferença consistia, em síntese, apenas na maneira como expressavam seu sofrimento.

Nesse sentido, por tais estudos, passou-se a prevalecer a visão biopsicossocial da saúde, pela qual há uma conjunção de fatores psicológicos, biológicos e socais.

Consequentemente, processou-se uma evolução nos modelos da história da medicina do modelo primitivo, da medicina grega, do modelo cartesiano e do modelo romântico, com os avanços das ciências biomédicas e o modelo biopsicossocial.

Diante de tal progresso, passou-se a se atentar à pessoa do paciente, preocupando-se em escutar o que ele tem a dizer sobre o lugar que ele ocupa na vida, sobre sua história, sobre suas dores, e não apenas pelos sintomas que relata, pois tais fatores revelam o que é invisível aos olhos: a incapacidade de amar a si mesmo; insegurança; sentimento de impotência; fragilidades; frustrações; sonhos interrompidos; idealizações; desamores; sentimento de desvalorização; uma situação inusitada e obscura, que escape a compreensão, como uma crise de pânico; sintomas negado, escondido, camuflado, mas presente.

Como terapeuta, a pergunta que me faço sempre quando o paciente chega ao meu consultório é: por que o paciente veio até aqui?

Aproximo o meu ouvido a escutar as pequenas filigramas da sua narrativa. O que ele quer que eu compreenda que não está explícito? O que está por trás desse discurso?

Na maioria das vezes sua angústia não tem palavras, apenas sofrimento e insegurança, cujas palavras que ecoam demandam um desejo de ser compreendido.

Cabe ao terapeuta, então, nesse encontro, dar a palavra ao paciente e ficar na escuta dessas projeções em forma de enigmas, símbolos e fantasias, dos dramas e das tramas de sua história. Uma experiência emocional.

Por estes fatores, é possível concluir que adoecemos por motivos mutltifatoriais e o nosso corpo expressa, além das dores físicas, as dores emocionais, sendo subjetiva a dor e o sofrimento experimentados por cada indivíduo, não sendo, jamais, possível medir o grau de dor e sofrimento de cada um.

Finalizo esta breve reflexão com um texto do Dr. Marco Aurélio que resume a grandiosidade e complexidade humana: “Em face dos indecifráveis mistérios do existir e do morrer, da falta de um sentido lógico para a vida, da tremenda sensação de desamparo e fragilidade com que ela, a VIDA, e seu contraponto, a MORTE, nos envolvem, somos, todos nós, presa de uma verdadeira angústia existencial (Marco Aurélio dias da silva).

Odete Alves Guerra é Psicóloga

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