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Ponto e Vírgula, Sísifo – Esther Rosado

Mais um dia e Sísifo saltou da cama. Assim, pois mal amanhecera.

Pôs no chão os pés cumpridores e imaginou : depois do banho tiraria o carro da garagem e faria o mesmo percurso de todos os dias até o prédio do escritório.

No caminho, buzinas. O gosto do café ainda na boca.

Pensou que se sentia igual a sempre, carregando como se uma pedra para o alto da montanha.

E então, inesperadamente para ele próprio, em um cruzamento nunca visto, mudou o percurso, acelerou.

A música do carro estava altíssima, Jesus alegria dos homens de propósito.

Desatou o nó da gravata, afrouxou o cinto, desamarrou os cadarços  do sapato, jogou a pasta e o celular pela janela e tomou uma estrada nunca antes imaginada.

Ao fim dela, pode ver o mar azul do dia; gritou  ouvindo o mar, marulho. E riu. Gargalhou sem medo de o tomarem por doido varrido.

Abandonando o carro, pôs-se a andar com seus ligeiros pés, livre como se fosse voar sem nunca ter tido asas, esquecido , leve, ligeiramente embriagado de algo novo que jamais sentira: estava livre, livre.

Estava absolutamente feliz.

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