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‘Pandemia acelerou o falecimento do modelo educacional’, segundo educador

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou a continuidade do ensino remoto até o final de 2021, além da fusão desse ano com o próximo período letivo. As diretrizes serão válidas para todas as redes do país, desde a educação básica até o ensino superior, sejam elas públicas ou particulares. O texto ainda deverá ser homologado pelo Ministério da Educação (MEC) e, depois, as redes poderão aderir ou não à proposta.

O especialista Ismael Rocha, diretor acadêmico do Institute of Technology and Education (Iteduc) e doutor em Educação, reforça que o ensino híbrido — que mistura aulas remotas com atividades presenciais –, será uma realidade que vai perdurar após a pandemia. Segundo Rocha, o formato traz ganhos ao processo de aprendizagem, porém, ele afirma para a necessidade de readequação das metodologias empregadas e a importância de utilizar fundamentos diferentes dos que eram empregados no ensino tradicional. Veja abaixo o que o especialista recomenda para o processo educacional acontecer de modo efetivo e, ainda, a análise dele sobre as novas diretrizes do Conselho Nacional de Educação.

Novos formatos de ensino remoto: A decisão de prorrogar o ensino remoto pelo CNE é correta, mas pouco efetiva e incompleta, segundo Rocha. Para ele, o conselho acerta na criação de uma diretriz para 2021, por dar uma tranquilidade às escolas se programarem para o próximo ano letivo. No entanto, erra ao generalizar, pois muitos alunos não têm acesso à internet. O educador afirma que existe um pensamento equivocado na ideia de que o ensino remoto é sinônimo de wi-fi banda larga. “É fato que nem todos os alunos têm acesso à banda larga, mas seria importante rever a forma do ensino remoto acontecer”, diz ele. “O ensino à distância deve ser realizado por meio de outras ferramentas de comunicação, com poder muito maior de penetração do que a internet, como as rádios e as televisões estatais, bastante acessíveis em todo o Brasil”, afirma o diretor acadêmico do Iteduc.

Aumento do gap entre os estudantes: Com mais de seis meses de suspensão das aulas presenciais, surgem muitas dúvidas em relação a educação em um país com dimensões continentais como o Brasil. “A diretriz aprovada pelo CNE pode causar um distanciamento ainda maior entre os estudantes das escolas particulares e públicas, porque não existe um parâmetro único para balizar a tomada de decisão”, ressalta Rocha. Conforme o educador, há necessidade de uma política do governo onde vários ministérios possam trabalhar em conjunto. Nesse caso, o Ministério das Comunicações, junto com o MEC (Ministério da Educação), seriam alinhados em prol de um grande projeto educacional para o Brasil. Com a falta de políticas públicas, decisões incompletas como é o caso da diretriz do CNE, podem prejudicar ainda mais o processo de aprendizagem dos alunos. “O MEC não pode deixar que cada escola de cada município decida o que fazer. Deve haver uma definição clara e um suporte para todas essas escolas”, afirma o especialista.

Falecimento do sistema educacional: Para a educação, segundo o especialista, o ponto positivo da pandemia foi a aceleração da mudança da estrutura educacional aqui no Brasil, modelo que é o mesmo desde o século dezenove. “Se entrássemos em uma sala de aula em 1910 ou agora em 2020, a configuração seria a mesma. Isso mostra o atraso em nosso sistema de ensino”, conclui. “Precisamos reforçar que os professores não são nativos digitais, mas os alunos são. Com isso, é necessária uma nova capacitação dos professores para o momento atual, onde as escolas precisam ensinar os seus educadores a ministrarem uma aula com uma dinâmica diferente do que era válido anteriormente, no método tradicional de ensino. A pandemia escancarou uma nova realidade, por estabelecer um novo parâmetro de ensino- aprendizagem no Brasil, e um dos pontos mais importantes para serem revisados é essa capacitação dos professores, que, no momento é extremamente crucial”, completa Ismael.

Relação aluno professor e novas metodologias ativas: Rocha acredita que os professores estão trazendo para o online a mesma aula do presencial, e isso é ruim, pois as linguagens de um e de outro são completamente distintas. “Presencial é o teatro, já o online é o cinema. O professor agora não é mais o centro das atenções, ele precisa se tornar o grande personagem”, complementa. “É preciso trazer para o ensino híbrido as metodologias ativas, onde o aluno se torna o protagonista. O TikTok e jogos virtuais podem ser uma opção para entreter os alunos e serem usados até em processos de avaliação, pois as crianças e jovens estão conectadas diariamente nesses aplicativos. Metodologia ativa é levar para o ambiente virtual situações que fazem parte do dia a dia desses estudantes”, diz Ismael.

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