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O mundo não gira ao redor do nosso umbigo!

Professor Gustavo Montoia

Estamos vivendo um momento delicado. Este vírus, que se alastrou mundo afora, revelou-nos muitas coisas, seja nossa fragilidade humana, seja o impacto que causamos nos habitats, pois, o que ocorreu, nada mais é do que um desequilíbrio nos ecossistemas! Percebemos, da mesma maneira, que, sem possibilidade de acesso à saúde, não existe produção industrial, sucesso educacional e crescimento econômico.

Outra realidade cara a nós, seres humanos, é que não vivemos isolados. Não somos uma ilha em nós mesmos. Esta dura realidade trouxe a compreensão de como atitudes individuais causam impacto no conjunto. Vivendo em uma sociedade individualista, que valoriza um mérito pessoal que não existe em sua essência, a doença que se esparrama mostrou como cada indivíduo afeta o todo!

Sendo assim, parte do que somos, depende da existência do outro. O mundo não gira ao redor do nosso umbigo! Nossa função enquanto sociedade existe na dependência mútua de nossas habilidades. Como habitantes de uma cidade, não produzimos nosso alimento, dependemos de alguém que exerça a profissão de policial ou médico, estamos vulneráveis a várias doenças sem a atuação dos agentes ambientais, que preconceituosamente chamamos de “lixeiro” e acreditamos que devem ganhar menos. Tolos! Não somos autossuficientes como pensávamos!

Em um mundo globalizado, sofremos influências negativas e positivas de todos os países! Desfrutamos da influência cultural que nos enriquece e somos atingidos por doenças que surgiram em outros lugares. Dessa maneira, precisamos compreender que é necessário agir a favor do outro. Respeitar espaços públicos e valorizá-los, exigir a promoção da cidadania e não de coisas que apenas geram vantagens individuais é compreender que vivemos em sociedade – e não vamos escapar dessa realidade!

Este momento que estamos passando enquanto sociedade global e, perto de nós, sociedade brasileira, demonstra a importância de nossa função social. É necessário ficar em casa para não atrapalhar aqueles que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus. O egoísmo deve ficar de lado. Precisamos exigir a atuação dos nossos governantes para o bem de todos na promoção do diálogo ao lado da ciência.

Esta dura realidade instalada neste momento só pode produzir esperança quando cada brasileiro entender a sua gravidade e buscar a cura com o melhor remédio – o isolamento social. O Brasil precisa enfrentar este dilema não com argumentos bolsonaristas ou petistas – nesta tosca polaridade.  Necessitamos deste “acontecer solidário”, usando as palavras do geógrafo Milton Santos, que é esse jeito brasileiro de se importar, sair à luta e atuar em rede. A solidariedade é o que nos espera, hoje!

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba.

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