Acompanhe aqui os números da COVID-19 em Jacareí

O Brasil de Bolsonaro é o Brasil dos 20%

Gustavo Montóia, Colunista

Juliana é uma mãe de 5 filhos. Seu esposo sofreu um derrame que o tornou inapto ao trabalho. Atualmente, dependente do Bolsa Família, recebe um valor de, aproximadamente, 430 reais. Com um aluguel de 400 reais, o que sobra para alimentar os seus filhos? Apesar de se desdobrar em busca de renda, os filhos vão para a casa da avó, uma aposentada que, ao menos, consegue alimentá-los.

Mas, “por que pobre tem muitos filhos?” “Viu, isso é o resultado do fique em casa”. Essas são as únicas respostas prontas que as pessoas possuem para esta realidade que assola os brasileiros. Ao pobre, opções não devem existir, muito menos escolher que tipo de alimento deseja, como já afirmou um Governador. Quem tem refeição diária consegue, de maneira fácil, sustentar o senso comum como explicação.

Como o Presidente, que é defendido a qualquer custo, como se todas as justificativas de sua incompetente gestão realmente fossem plausíveis. Soma-se a isso sua sugestão de que, a cada policial morto, um valor deveria ser descontado do salário de todo corpo policial para amparar a viúva. Esse falso gesto de benevolência apenas coloca a responsabilidade de um problema social nas mãos dos indivíduos.

O sucesso de sua presidência que realmente pode ser reconhecido, não é o esforço para colocar comida na mesa do brasileiro, mesmo com os vultosos lucros do agronegócio, mas o quanto ele consegue ainda convencer uns 30% ou 20% de pessoas que consideram que não governa porque é impedido por alguém. O Executivo não consegue executar! Esses aposentados, brancos, pais de família e, alguns, com amante na esquina, acreditam que em 28 anos de deputado, Jair Bolsonaro é contra o sistema, esta estrutura política híbrida de escravocratas, coronelismo e um liberalismo nefasto, na qual, ele encaixou a família, pagou funcionários fantasmas, superfaturou notas enquanto esbravejava ressentimento para ganhar votos.

Em sua carta de falsa rendição, tal como aquela que destilava ódio contra o ex-presidente FHC, o que ocorre é a continuidade de uma cortina de fumaça, enquanto protege filhos de seus atos suspeitos (escancarados), finda-se Lava Jato que desce ralo abaixo, fortalece acordos com o Centrão do qual sempre fez parte, com gastos públicos para interesses pessoais – como ocorreu nesse 7 de setembro (sem contar, o cartão corporativo). O que sobrou? O forte discurso cristão, com apoio de pastores que vilipendiam a mensagem do evangelho quando as dívidas das igrejas são perdoadas.

Contudo, o importante mesmo é que o país tem um presidente que é “temente” a “deus” (seja esse quem for), manipulando dados e informações a respeito do país, aumentando a dificuldade que do IBGE em realizar o Censo de 2020, para que um país mais escancarado em suas mazelas não apareça em ano eleitoral, quando assistiremos, provavelmente, mais um roupante de alguém que não sabe lidar com a democracia, dada a sua natureza autoritária.

Típico desse grupo populacional com formação distorcida sobre Ditadura, Jair Bolsonaro é o homem médio brasileiro cujo trunfo foi eleger-se a cargos públicos para benefício pessoal. Ele está longe de atitudes racionais que os cargos exigem, reflexo do brasileiro que, não sendo transformado pela educação, de oprimido vira opressor, nas palavras de Paulo Freire. É o defensor de mitos e da violência, encontrando em pares aqueles que ainda acreditam que não se toma leite com manga, que devemos tomar cuidado com “olho gordo”, que “bandido bom é bandido morto” e que é importante manter uma vassoura atrás da porta em sua sala no Planalto com exceção, apenas, para Michel Temer. Assim, resta-nos a ironia nessa realidade tão incrédula sobre o impeachment, enquanto Julianas, Marias, Jorges e Josés, com seus filhos, passam dificuldade em um governo que se diz de um “povo”, um grupo que defende a qualquer custo a sua manutenção, pois lhe dá lucros e permissividade, não o pobre. São as classes “chamadas superiores” que não desejam ser cidadãs, desejam privilégios, a ponto de suportar, até mesmo, um governo autoritário, como bem afirmou Milton Santos, sustentando o fã clube bolsonarista com o senso comum que tanto acreditam.

Deixe uma resposta

Top
WhatsApp chat
%d blogueiros gostam disto: