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O aniversariante esquecido

Ontem, dia 22,  fiquei esperando manifestações dos políticos de plantão, aqueles que aproveitam a menor oportunidade para fazer discursitos saltitantes: nada. Era aniversário de descoberta do Brasil, mas quem disse quê? Exceto alguns artigos esparsos, nenhuma menção ao fato.

Ando envergonhada demais com tantos acontecimentos sem pé e sem cabeça e mais envergonhada ainda com discursos vazios, gente doida para quem o futuro não existe, esquecida de que estamos prestes a começar a cavar valas comuns em todas as cidades deste país…

Pensei que o presidente Bolsonaro fosse aparecer em horário nobre, fazer um discurso sobre o aniversariante do dia, mas parece que só gosta de fazer discursos inusitados, falar sobre circunstâncias inúteis ou acontecimentos singulares, errando catastroficamente: mandou os médicos do Mais Médicos embora e… estamos precisando de médicos agora; arrasou com as pesquisas e pesquisadores e verbas para universidades e… nem é preciso dizer o que aconteceu. Pior, “É só um resfriadinho, uma gripezinha”, observem o que está acontecendo.

Demitiu Mandetta, ao que parece (estou lendo somente a manchete no celular) Moro acaba de demitir Bolsonaro da vida dele, ou seja, o governo esfarelou-se. Egolatria não permitiu de se lembrarem, Bolsonaro e os assessores, que o Brasil fazia aniversário. Em um governo qualquer, em qualquer lugar do planeta, o presidente iria para a tevê e, certamente, faria uma saudação ao Brasil e aos brasileiros. Os assessores de Bolsonaro estão reativos demais, perderam grande chance de tocar o coração dos habitantes “da nossa pátria-mãe tão distraída. ”

Zonzos, amedrontados, muitos estão se perguntando o que acontecerá conosco neste barco desgovernado, nesta transição planetária pra valer. Pobres, ricos, altos, baixos, gordos e magros, estamos com medo de morrer, com medo de naufragar com a economia virada do avesso.

Esquecido, o gigante adormecido não tem como oferecer enterros decentes para gente que nem deveria ter morrido de Covid19. Assisto aterrorizada o relato de uma enfermeira que não quis mostrar o rosto: depois de usar um avental descartável por 12 horas seguidas, os trabalhadores de utis têm que lavá-lo e reaproveitá-lo.

Triste Brasil esquecido; tristes brasileiros equilibrando-se à beira do abismo.

E mais triste ainda é ver esse povo na rua, sem máscaras e sem destino, ou, ainda, já começando a reanimar os bailes funk, os shows ao vivo e as celebrações de sei-lá-o -quê, esquecidos de que o mais importante agora é tirar o nariz do próprio umbigo e tocar adiante porque é pra frente que se anda. Sem partidos, nem polarização, sem ódios ranhetas, em nome do Brasil, este aniversariante esquecido.

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