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Mas vai passar – Esther Rosado

Como, me pergunto, ter qualquer inspiração para escrever se tusso sem parar nesta manhã em que o sol está aberto e tudo se revela?

Como, de repente, em meio a uma febrícula bestalhona, querer escrever em meio a tanta violência, tiros, meninas e mulheres mortas? O mundo parece ter perdido o sentido, as pessoas perderam o senso de humanidade?

China treina, depois da visita de Nancy Pelozi, presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos à Twain, e provoca mal-estar quando dispara mísseis como exercícios militares. Tudo parece estar no limite, ninguém tem mais paciência para nada, todos nós, humanos, temendo que, a qualquer instante, se inicie uma guerra nuclear.

Enquanto isso, nascem orquídeas nas florestas úmidas e quentes da Amazônia devastada; florestas que podem desaparecer em tão pouco tempo; a Globo exibe a novela que insiste em fazer observar o Pantanal desgastado, uma mulher que vira onça e muitas, muitas armas à mostra. Pena que eu não goste de novelas, porque o tal “velho do rio” é interpretado por Osmar Prado, um ator excepcional.

O presidente da Ucrânia fala para ninguém, Putin continua a devastar aquelas terras, um narcisista sem parada que quer matar, fazer e acontecer. Que diabos é isso?

A tevê nos mostra, nos jornais, que brasileirinhos passam fome, que brasileiros adultos deixam de comer para dar aos filhos o mínimo que conseguiram com doações: sem emprego, armários vazios e vi, ah, meu Deus como é terrível a fome, um menino ligar para a Polícia e pedir socorro porque não havia mais o que comer. Nunca imaginei uma criança com fome a ligar para a polícia em busca de comida.

As instituições desabam em credibilidade, a vida tão difícil, continuamos a morrer também de Covid. E essa agora da tal varíola do macaco? E dengue e todos os perigos desta vida, outras doenças tenebrosas que aparecem, devastam e nunca vão embora?

Mas, a mais terrível de todas as doenças é a violência, é ser invadido em todos os lugares, como cidadão e como ser humano, para ser alvo da raiva e da indignidade dos que vão sem medo exterminando tudo o que há pela frente.

Num país e em um tempo como o nosso, o que menos importa é a vida, a educação, a saúde, o trabalho.

Num país como o nosso, um furacão passou por sobre nós, filhos e amigos.

Mas vai passar. Se mestre Chico disse que vai, é porque vai.

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