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Lá no Planalto, um deus cheio de si

“Eis ali o Messias”, não acreditem - Gustavo Montoia

Lá no Planalto é possível ver tudo e a todos, mas estão inacessíveis como em um enclave: banquetes, luxo, poder acima de todos, como prometido. Chega-se à beira para acenar para aqueles que vislumbram lá embaixo, pois tudo o que querem é apenas ver. Existe uma cruz sem Cristo, e, ao lado, outro está ali, como deus nos corações.

Rodeado de sacerdotes, estes parecem muito mais aqueles que incitam a multidão em troca de favores do Império Romano, ameaçando Pilatos, excitados pela proximidade com o poder. O altar é de sacrifícios que promovem caça às bruxas em oferendas recheadas de professores que “doutrinam”, “esquerdopatas” que querem transformar o país em comunista e discurso sobre “erotizar” crianças. A vitória é muito mais sobre a criança estuprada impedida de abortar do que aquela que passa fome, violentada por um Estado negligente.

Lá no Planalto o que se vê e não se sente é a morte nas favelas que atinge o negro e o pobre – exaltando violência policial. O espetáculo é arminha com a mão, na flexibilização ao porte de armas que aumenta a violência no campo e as milícias na cidade. Esse “jesus” gosta de posse de arma e apedrejamento da mulher imoral descoberta em adultério – enquanto os homens se safam. No púlpito, dedos são apontados porque a culpa é sempre dos outros, e legitimam violência contra indígenas ao justificar garimpo devido ao desemprego e morte de ativistas por fazer o que é correto.

É de lá do Planalto que a distância aumenta entre a realidade e o discurso que tudo está bem – impondo viseira pela mídia, religião e redes sociais. E, assim, cada um é parecido, cada vez mais, com o deus que cultua…

Por que escrever em metáforas? A ilustração ameniza a tensão de cada dia. Usar metáfora, apesar de críticas, traz o verso e a prosa que aliviam a vida.

Imagine sempre escrever que o presidente só trabalha, em média, 5 horas por dia, e que, sendo o Governo Federal o maior acionista da Petrobrás, resolveu culpar alguém invisível pela alta dos preços dos combustíveis?

Imagine escrever que um país que voltou ao mapa da fome possui recordes nas safras, com o agronegócio que enriquece com produção que não é para brasileiro comer? Que a propaganda de regulamentação fundiária mostrando um casal pobre esconde maior extensão de latifúndios já existentes?

Que melhor mesmo seria acusar o Movimento Sem Teto de tomar a tua casa, quando foi um Projeto de Lei do Governo que propôs o fim da impenhorabilidade de sua única casa com discurso de maior possiblidade de negociar dívidas? Para quem?

Imagine escrever que pai e os filhos que sobem ao Planalto, não vão para governar e sim para viver bem, com altos gastos no cartão corporativo, enquanto o Auxílio Brasil derruba o Cadastro Único com deturpação dos dados para ganhar eleição com pessoas da mesma família inscrita a fim de aumentar os “beneficiados”?

E de decretos para sigilo de 100 anos a cada gasto ou informação, neste discurso de uma gestão sem Mensalão ou Petrolão, o Orçamento Secreto esbanja bilhões de reais em emendas turvas para deputados que votam a favor de projetos do governo? É o Bolsolão que cospe na cara do brasileiro, enquanto cada recurso estratégico é entregue nas mãos do mercado com a justificativa de “melhora na economia”: como é a aposentadoria mais tarde, a Eletrobrás privatizada com “intuito” de redução dos custos da energia, a flexibilização na CLT com trabalhadores de segunda classe. É o desrespeito ao anti-cidadão que por muitas vezes, também gritou: “mito, mito, mito” aos pés do Planalto induzido entre os louvores.

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