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Jesus sem patentes, embora tentam

*Por Gustavo Montoia

Lá estava aquele homem falando palavras ao coração das pessoas. Ele conseguia chegar nelas com seu modo de ser e de falar. Ao seu lado, pessoas indesejáveis: analfabetos, mendigos, cobradores de impostos. O mais interessante é que Ele permitia cada um se achegar diante de Deus.

Porém ele não passava no crivo da instituição religiosa. Ele não coube em sua teologia e ainda condenou o sistema estabelecido que, na prática, aproximava-se de Deus quem podia pagar. Um dia, ele até mesmo derrubou as barracas que estavam no templo. Um espaço feito para as pessoas estava ocupado por mercadorias à venda enriquecendo as famílias sacerdotais.

Jesus apresentou um Deus que não era enquadrado no sistema religioso. Logo aqueles que leram muito sobre Deus, que se aprofundaram muito em toda forma de sabedoria dos Céus transformaram a fé em um escambo com o Império Romano.

Como esse sistema foi questionado, ele precisava ser morto. Mesmo com todas as profecias que os cristãos creem a respeito do Filho de Deus, o elemento humano não pode ser ignorado: Jesus deixou a corrupção, manipulação política, desejos pessoais em nome de Deus e uma imposição social a partir da religião e do poder escancarados. Isso estimulou a casta dos sacerdotes a planejar o seu fim.

Como em nossos dias, o discurso religioso colocou Deus em uma forma: você é cristão se somente concordar com um partido de direita (de extrema direita de preferência); precisa pregar que, se for eleito, o país vai melhorar porque os “diferentes” serão suprimidos e a nação será redimida; um cristianismo “puro” será estabelecido bem aos moldes da instituição religiosa que representa. Isso sem contar nas concessões às rádios, nos terrenos cedidos para os templos, no uso do discurso religioso para ganhar votos em uma pressão emocional tão grande que é difícil de escapar, além de “profecias” extrabíblica para confirmar cada palavra.

É mais uma vez Deus sendo colocado em uma caixa para dominação e poder. Jesus sendo patenteado em uma perspectiva religiosa que se autointitula propriedade da interpretação pura. Jesus rotulado. E você, só tem Jesus se entrar dentro desta garrafa de refrigerante.

Mas, como lembramos na tradição deste domingo, Jesus ressuscitou. Tentaram calar aquele que apontou um Deus fora da corrupção e cheio de pessoalidade. Ele não pode ser domesticado, embora, a cada dia tentem. O esforço é contínuo. Foi o próprio Jesus que chegou a dizer que matariam pensando fazer isso em nome de Deus.

Em sua ressurreição, para o incômodo dos poderosos, lá estava Jesus mais uma vez presente junto com os rejeitados. Este Jesus ressurreto presente com os entubados pela COVID, junto com os órfãos e as viúvas que o Governo julga conseguirem viver com 150 reais de auxílio emergencial, nas cidades sem leito de UTI, nas favelas, na casa da empregada doméstica que pegou o vírus da patroa que conscientemente a contaminou. Junto com aqueles que tomam fluoxetina, que são linchados virtualmente porque não cedem à hipocrisia. Jesus ressurreto, está com os cientistas.

Enquanto isso, alguns insistem em enquadrar a personalidade daquele que ressuscitou. Mas não conseguem. Ele não é possível de ser patenteado.

Professor Gustavo Montoia

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba.

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