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Estamos vivendo uma tempestade perfeita?

Risco político, risco inflacionário e risco de baixo crescimento são sinais de uma tempestade perfeita para 2022?

Muito provavelmente estaremos diante de um grande desafio para o próximo ano com crescimento abaixo das expectativas e alta de inflação, mas que já é sentido muito claramente, nos dias de hoje, diante do aumento de preços constantes, principalmente, de alimentos. Todo mundo sabe que a inflação retira o poder de compra das famílias e era um dragão que estava adormecido, até então, mas despertou e está novamente preparado para soltar fogo pelas suas ventas e causar enormes estragos na economia do país que já andava bastante fragilizada não somente pela pandemia, mas pelos desarranjos políticos, onde ninguém se entende, as reformas não avançam e quem sofre é toda uma população que aguarda soluções para seus REAIS problemas.

A pandemia afetou praticamente todas as nações do mundo e a cadeia de fornecimento também foi atingida profundamente, já que um dos principais fornecedores de produtos manufaturados e de insumos médicos mundiais é a China que se transformou, ao longo dos anos, num grande armazém/supermercado do mundo, além desta, ser um grande importador de matéria-prima principalmente do Brasil. Tudo isso porque com a retomada da economia mundial cria-se uma demanda crescente por alimentos e por insumos, favorecendo a exportação de commodities, que incluem além do minério de ferro, a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café, a carne bovina, o cacau, o alumínio, dentre outras. Com o dólar alto é mais vantajoso para o setor do agronegócio atender o mercado externo do que o interno provocando uma baixa oferta de produtos e como consequência uma elevação de preços somada a variação cambial pela qual estes produtos são cotados por meio das Bolsas internacionais.

Outros componentes adicionais como a instabilidade política e a falta de diálogo entre os Poderes inviabilizam as devidas reformas necessárias para que o país avance gerando, com isso, a desconfiança por parte dos investidores internacionais que retiram o dinheiro do país, transformando em dólares, e levando de volta para sua origem ou preferindo aportar seus recursos em “portos mais seguros” contribuindo, por sua vez, para o aumento do dólar e por consequência encarecendo os produtos pois, há menos concorrência com os importados e consequentemente gerando mais inflação. Com o real mais desvalorizado isso se reflete automaticamente também no preço dos combustíveis para os automóveis, no querosene de aviação, na importação de máquinas e equipamentos elevando os preços de bens e serviços consumidos por todos nós.

A inflação é ruim para todas as classes, mas principalmente para as mais pobres já que grande parte deste orçamento é direcionado para a compra de alimentos e menos para educação e lazer, por exemplo. Somente a inflação de alimentos é de mais de 14% (dados do IBGE) e quanto ao consumo de proteína, no caso da carne bovina o aumento foi de 25%, o óleo de soja subiu 32% e o açúcar 44% em 12 meses pressionando o orçamento das famílias mais desprovidas levando, muitas delas, a buscarem como alternativa ao aumento sucesso de preços, os pés de galinha, ou recorrendo, até mesmo, a aquisição de ossos para terem o que comer.

A inflação oficial calculada pelo IBGE nos últimos 12 meses disparou para 10,25%, ou seja, retornamos ao patamar de dois dígitos, o que não ocorria há mais de 5 anos, diminuindo nosso poder de compra e para um momento em que possuímos 14,1 milhões de desempregados e 19 milhões de pessoas passando fome no Brasil. 

Quando se tem um aumento na inflação, uma forma do Banco Central segurar a sua alta é através do aumento das taxas de juros básica da economia. Com isso, há um arrefecimento na economia real fazendo com que os empréstimos fiquem mais caros tanto para a pessoa física como para as empresas, diminuindo o apetite pelo consumo das famílias, mas também limitando os investimentos, por exemplo, no aumento de linhas de produção, no crescimento do parque fabril, na abertura de novos negócios e, como consequência disso, diminuindo o número de contratações e podendo gerar até demissões já que não há demanda para os produtos e serviços gerados. O grande desafio do BACEN é realizar este ajuste fino entre conter o aumento da inflação sem reduzir, drasticamente, o crescimento da economia real.

Segundo o Banco Central o PIB deverá ficar por volta de 1,54%, porém, o mercado financeiro projeta um PIB menor que 1%, já que, enquanto não houver uma política econômica mais clara, pautada em ações para a retomada de um crescimento sustentável e menos voltado aos interesses político-partidários e, portanto, sem uma luz no fim do túnel, o remédio amargo para tentar segurar a inflação será mais aumento de taxas de juros (Selic) que também pode chegar próximo dos 2 dígitos para compensar todas as nossas deficiências. Somado a tudo isso ainda há a crise hídrica, que gera a crise energética pois, todo país necessita de energia elétrica para se desenvolver, gerando a chamada “estagflação” que é soma de estagnação econômica, ou até mesmo recessão, as altas taxas de inflação.

Por fim, as famílias precisaram cada vez mais serem prudentes com seus gastos futuros, avaliando suas decisões de compras, organizando o seu orçamento doméstico e criando reservas de emergências para situações que vão além de uma pandemia e que necessitam serem planejadas antes de ocorrem, evitando com que, o seu bem-estar financeiro e a Qualidade de Vida das famílias sejam parcialmente ou seriamente afetadas pela falta de planejamento.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações.

E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br

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