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ESPERANÇA, APESAR DA CRISE! Odete Guerra

 Desde que me propus a escrever sobre emoções e levar uma visão da Psicologia de maneira acessível e cativante aos leitores, priorizei temas de sugestões destes ou ainda aqueles cuja demanda social se mostrou imprescindíveis – como o caso da pandemia! Contudo, nestes últimos dias, vez ou outra eu mesma me peguei pensando sobre “esperança”. Palavra tão comum, mas que se revela de tanta profundidade, razão pela qual conclui que expor-se a esse tema somente um indivíduo esperançoso o faria  – tal como eu sou!Nesta perspectiva, ao se aproximar as comemorações natalinas, é inevitável voltarmos nossos pensamentos ao Natal de 2020, e todos os acontecimentos decorridos em razão do isolamento imposto pela Pandemia.Fomos testados com o comprometimento da capacidade de pensar, justamente pela forma como fomos lançados num estado de medo, de insegurança, de angústia, de incertezas, de desamparo, com sentimentos avassaladores de impotência, de falta de controle e incertezas quanto ao futuro. Uma experiência emocional de cesura/ruptura e, ao mesmo tempo, um desejo de encontrar uma forma de sair daquela situação, porque a minha, a sua, a nossa vida havia mudado. A defesa psíquica inicial foi evitar pensar o que estava acontecendo, uma forma de impedir o sofrimento, porém, isso mostrou uma “tática” ilusória. A realidade dizia que precisávamos enfrentar os nossos medos, inseguranças e angústias, buscando novas formas de fazer as coisas, de criar uma nova rotina.Decidi, então, que iria pensar por essa situação. Começaram os atendimentos online, as famosas lives para falar sobre saúde mental, a oportunidade de escrever sobre ansiedade, luto, angústia, entre outros temas. Aquele momento que me tornava vulnerável também me permitia criar e me fortalecer; protegia-me da ansiedade e da paralisia mental. A situação exigia uma nova postura, uma nova rotina, uma nova forma de fazer as coisas, uma nova compreensão psíquica e da realidade. Em meio a todos esses pensamentos, imaginei como ilustrar a esperança absorvida e processada por mim, como ação, não como delírio, devaneio ou milagre. Busquei nos músicos-poetas, pois eles expressam de maneira clara sentimentos e sensações que não cabem na racionalidade. Comecei pela música “Enquanto houver sol”, dos Titãs, que diz: “quando não houver saída/ quando não houver mais solução/ainda há de ver uma saída/ nenhuma ideia vale uma vida”. Já, Renato Russo declama: “mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei. Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem”. E Raul Seixas nos presenteia com: “não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida”. Existe todo um encantamento nesses versos que nos faz refletir sobre a transitoriedade, pois temos dois caminhos: o desesperar ou o rebelar – e esta última opção implica em não ficarmos submetidos ao caos, mas sim lutar, reconhecendo a nossa vulnerabilidade e a finitude da vida. Neste caso, há uma força psíquica que expande e sustenta o desejo de conseguir fazer as travessias – há movimento.  Os Titãs reforçam: “quando não houver esperança, quando não restar nem ilusão, ainda há de haver esperança em cada um de nós”. Diante da complexidade da vida, das contínuas mudanças, ou quando nos encontramos numa encruzilhada, precisamos da expansão da nossa capacidade de pensar. Irmos ao encontro de nós mesmos. O pensar sobre si mesmo e o modo como se pensa possibilita um nascimento psíquico transformador. Esperança não é ficar esperando as coisas acontecerem. Exige movimento. Em um ano desafiador, repleto de incertezas e inseguranças, celebrar o Natal é reconstruir a esperança em dias melhores! Encontre-se! Reencontre-se!  Ressignifique-se!  Tenha esperança!

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