Acompanhe aqui os números da COVID-19 em Jacareí

Especulações sobre a pequenez

Nada sei, esta é a conclusão a que chego, depois ver um pedaço de programa sobre pássaros do mundo todo. Nada sei, repeti, e balanço a cabeça para lá e para cá, pensando sobre asas que batem ligeiras, em bicos, em penas, em voar. A gente pensa que sabe sobre coisas pequenas e miúdas como um alfinete, mas também não sabe. Tanto por aprender com pássaros, alfinetes, linhas, letras e estrelas, mas cadê o tempo para espiar o mundo?

Somos tolos, nós, os seres humanos. Temos a impressão de que o que fazemos é o máximo para a humanidade, que a nossa profissão, sim, é que é a indispensável. Mas quem disse que isso é realidade?

Aproximamos opiniões, cotejamos acontecimentos, certos de que a nossa opinião e o que nos ocorreu é de suma importância para todos os mortais. Quem disse quê? Descobrimos, espantados, que somos a sombra mínima e que, muitas vezes, sequer faremos falta a este mundo virado de pernas para o ar.

Imprimimos ao nosso dia a dia um mérito imponente, acreditamos que uma única palavra nossa fará romper o equilíbrio da Terra, quem disse que é verdade? Quem disse que alguém se importa? Quem disse?

Cintilamos nossos ódios escuros, ostentamos nosso amor tão brilhante, moradores deste planeta áspero, transitório, habitados por milhões de famintos e angustiados crônicos. Acreditamos piamente que somos nós quem mantém o eixo da Terra em ordem…, mas o Universo é tão mais, tão alto e tão capaz de prodígios e se esconde no caule da flor, na asa do inseto, da gota de água, no átomo que não vemos, na chuva que desejamos.

Prometemos estudar, cantar, sorrir e amar, perdoar, dividir, mas à primeira contrariedade, salta de nossa boca a baba grossa da falta de condescendência e de misericórdia.

Dizemos que todos os habitantes do planeta são nossos irmãos de jornada, mas ao mínimo engano de um deles, retrucamos pesados e escuros, e nos damos, apenas a nós, razão que poderia ser dividida entre todos.

Nada sei, pássaro, diante de tua asa e tua liberdade; concluo apenas que já não quero mais bater boca por coisas tão pequenas, sequer me interessa mais o desequilíbrio dos outros. Quanto mais vivo, mais descubro que nada sei e que mais vale olhar aquela trepadeira de flores roxas e miolo amarelo do que me desgostar porque não consigo mudar o mundo. Ali, olhando para elas é que encontro a resposta de que é nas simplicidades da existência que mora, muitas vezes, a resposta das minhas inquietações humanas, tão pequenas.

Deixe uma resposta

Top
WhatsApp chat
%d blogueiros gostam disto: