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Eleições 2022: Atacar Professor Para Criar Cortina De Fumaça

Quando nos tornamos professores, no início de carreira, ocorrem mais dificuldades que acessos: desde a atribuição de aula em uma escola pública ou contratação em colégio particular, quanto ao salário – pois, muitas vezes, o que se paga ao engenheiro no estágio é o salário de um professor com muitos anos de carreira.

Existem ainda dificuldades que contribuem para afetar qualquer motivação: a falta de estrutura física nas escolas públicas, falta de segurança e salas de aula com um número que alunos excessivos que vem a somar com dificuldades, falta de cultura escolar, violência e fome!

Diante disso, professores enfrentam sérios obstáculos e alcançam resultados significativos, fora as campanhas para ajudar alunos que precisam de alimento, roupa ou orientações diante da vida difícil e conturbada que envolve família ausente, drogas, gravidez precoce e falta de perspectiva de vida. Como comemoramos quando um obstáculo é superado por um estudante que passou por nós.

Nestes quase 20 anos de magistério que possuo, tenho muitos relatos e testemunhos que não cabem neste texto e talvez algumas pessoas não suportariam ouvir. Agora, imagine isso somado ao número de professores que existem!

Mas, nos últimos anos é surpreendente como o professor se tornou a causa dos problemas da nação! Professores ensinam masturbação, relações sexuais anais, o seu filho macho a vestir-se de mulher e o kit-gay anda presente em todas as salas de aula, como divulgado ao longo de anos em muitas igrejas evangélicas por uma assessora que hoje ocupa cargo no Governo e fortalecido pelo Presidente da República que já chamou a classe de “vagabundos”.

São mentiras descabidas compartilhadas inúmeras vezes por pessoas que estudaram nas escolas públicas e conviveram para perceber o quanto isso é falso. Quanta falta de discernimento! Quanta falta de respeito! Existem deputados que, no lugar de trabalhar e parar de gastar excessivamente com verba de gabinete, causam constrangimento para professores na porta das escolas em um ato desumano de causar náuseas.

Agora, mal iniciou 2022 e a falácia começou a se fortalecer para angariar votos baseados na emoção irracional em pessoas que não verificam informação, nem sequer são honestos quanto a procurar conhecer o currículo escolar e se aproveitam para encenar uma cólera que é apenas a fuga de sua negligência como responsável, como cidadão e como eleitor. São os mesmos que, nas poucas vezes que comparecem na reunião de pais, passam pelo constrangimento em não saber qual série seu filho estuda.

O professor se tornou o inimigo da pátria, trabalhando 14 a 16 horas por dia, com 60 aulas por semana para obter um salário que sustente o básico de sua vida. Porém, estes trabalhadores são, em sua maioria, conservadores, convivendo com colegas considerados progressistas, na qual ambos trabalham a cultura, ciência e política de maneira plural. Infelizmente, trabalhar o pensamento crítico incomoda qualquer extremista, que não conhece o contexto escolar.

São profissionais que realizam pós-graduação, cursos de extensão e sujeitos a mudanças na política educacional mais do que qualquer outro cargo, profissão ou carreira, em um país que não valoriza a Educação desde os políticos ao cidadão considerado mais comum. Não estão imunes à crítica, pelo contrário, porém, estes absurdos apenas demonstram falta de respeito.

Todavia, como diz o ditado: “o ignorante a todos repreende, e mais fala do que menos entende”, criando narrativas que apenas reforçam um país a caminho da obscuridade, quando nem percebe seus direitos dilapidados, o meio ambiente destruído, o uso da religião como massa de manobra, a alta produção de alimentos em meio aos famintos, o sensacionalismo que vem apenas para alienar, porque a adrenalina do fanatismo tensiona mais forte para levar à repetição sem reflexão conforme lhe sugerem.

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