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Eleições 2022: a escolha de um discurso

“Eis ali o Messias”, não acreditem - Gustavo Montoia

O homem da política é assim: ele precisa vencer e sua função é te convencer. Come pasteis na feira, visita templos religiosos, evoca seu passado pobre, coloca-se como a solução alimentando a nossa necessidade terrena de um Salvador, é indignado com aquilo que chama de injustiça e precisa, quase sempre, discursar sobre um passado de ouro, com segurança, educação e estruturação familiar que nunca houve.

É um repertório baseado na emoção, nos sentimentos, no desespero dos necessitados ou no ressentimento daqueles que se sentiram à parte no atendimento público ou nos favorecimentos – o que aprendemos é que não existe político honesto o suficiente para isso ser usado como plataforma eleitoral.

O que de fato existe é aquele que está disposto a negociar e, nesse contexto, o quanto é capaz de se sujar nessa lama das negociatas de privilégios pessoais, de vantagens para as famílias que de uma forma ou de outra perpetuam-se no poder, maquiando novidade, modernização ou renovação.

Assim, convido a todos, nas eleições deste ano criticar, escolher e votar baseando-se na desilusão, no pessimismo e no descarte a qualquer nome que queira se vangloriar. Quem sabe, dessa maneira, pendemos para um discurso pragmático, de cumprimento de pautas e respeito à Constituição.

Qual discurso vamos escolher?

Primeiro, precisamos entender que em nosso país existe uma elite, isto é, um grupo de influência econômica e política que sempre nos convence que, “o que é bom para eles, só pode ser bom para nós”. Prolongar anos de aposentaria e apagar direitos trabalhistas e sociais realmente solucionam nossos problemas socioeconômicos? Por que o pobre trabalhador paga a conta? Foi apresentado a nós perdões de dívidas milionárias das empresas?

A mídia, no lugar de apontar os motivos dos aumentos dos preços dos alimentos e da gasolina, ficam com reportagens que “ensinam” a economizar. É uma resignação como projeto, pois, o que interessa, não é solucionar o problema da maioria da população, quando, por exemplo, o agronegócio já se consolidou com a ideia de vender somente para quem pode comprar.

Segundo, é necessário compreender que moralismo religioso não enche a barriga. Um governante não é eficiente se gritar, aos berros, que é “contra o aborto”, ou que é necessário resgatar a família tradicional. Esse discurso de que princípios religiosos são suficientes para resgatar uma nação e prosperá-la não funciona no Afeganistão. Religião e poder sempre existiram, mas foram uma mistura nada palatável e que nunca favoreceu os necessitados. A fé é foro íntimo. Essa é a liberdade que devemos buscar.

Como terceiro ponto, o apoio a Bolsonaro por parte dos evangélicos custa muito caro: desde a reputação dos princípios da fé ao descrédito que sofrem as igrejas. É claro que a esquerda política pouco sabe dialogar com um país que possui grande parte de população católica e evangélica e com mais de 30% de evangélicos.

O governo Bolsonaro é incompetente em muitos pontos, mas é, principalmente, naquilo que se apresentou: honesto, transparente, sem favorecimentos políticos, investimentos educacionais e científicos, e segurança. O que houve foi um presidente vitimista que se coloca como impedido de governar, quando não sabe fazer. Tornou-se presidente como improviso, divulgando um pdf como plano de governo com dados distorcidos, realizando sempre o que realizou como parlamentar.

Elisée Reclus, no século 19, escreveu que o homem de partido, da política, sempre vai governar de acordo com suas paixões, sua moralidade é inferior ao que discursou, e é aquele que complica demais as coisas para que não sejam feitas, ou que seja feito aquilo que é menos necessário. Até parece que esse geógrafo de 1894 andou por aqui.

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