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“Eis ali o Messias”, não acreditem – Gustavo Montoia

O messianismo é uma crença a respeito de uma pessoa enviada por Deus para acabar com o sofrimento humano. Presente no judaísmo e no cristianismo, podemos encontrar crença semelhante até mesmo em outras religiões, desde os antigos sumérios até os povos pré-colombianos.

Do ponto de vista político, no Brasil, é a crença em um líder político que vem atender as necessidades do povo que passa fome e que sofre. É alguém que redime a nação. Desde a figura de Tiradentes assemelhada a de Cristo até o Antônio Conselheiro incomodado com a república afastar o Estado da religião, essa crença é presente no brasileiro, que coloca a esperança em dias melhores em uma pessoa capaz de mudar a situação vigente.

Não é à toa que Getúlio Vargas foi chamado de “pai dos pobres”, que ações foram depositadas em JK ou que o regime militar seria capaz de impedir a “destruição da família” em uma suposta escalada comunista sobre a América Latina.

Como a história aponta, mas nunca aprendemos, sempre depois da ascensão, vem a decepção, em uma sociedade cuja estrutura melhorou para manter exatamente como ela é: privilégios e impunidade. O povo, mais uma vez, por si e pelos seus. Como na obra de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, “somos Severinos iguais em tudo na vida”, abandonados, com um Estado ineficiente para as demandas sociais. Ineficiência essa como um projeto.

Nossos “messias” não vivem com o povo e nem como o povo. Para eles, não falta comida, nem existe a infelicidade do desemprego. Muito menos ainda faltará o combustível no carro e desculpas sempre existem sobre não ter como fazer ou como mudar, mesmo curtindo férias quando a chuva assola a vida daqueles a quem deveria servir.

Esses “messias” usam a religião para se alavancar, e mexem com o falso moralismo que habita em nós lançando luz sobre aquilo que não é sua função. São messias que não incomodam os poderosos, mas são erguidos como ídolos por eles apenas para carregar uma procissão de iludidos. Jamais serão crucificados por incomodar ou para salvar.

Nesta época que vivemos, ainda são reforçados pela lógica evangélica brasileira cuja mentalidade é sustentada pelo Velho Testamento.  O que vemos é que aos líderes são os favores, ao povo o discurso da meritocracia.

“Não acreditem no messias”, já advertiu Jesus. O mesmo que afirmou sobre as pessoas serem capazes de matar pensando fazer isso em nome de Deus: matar o corpo, matar a alma, calar a voz, restringir direitos, desrespeitar liberdade, mentir para se manter. Mas não acreditem! Não acreditem em Lula para salvar o pobre, nem em Bolsonaro para salvar a família. Não será Marina Silva, nem Ciro Gomes, não será qualquer um que seja. O que precisamos aprender é que as soluções partem quando nosso voto deixar de ser um cheque em branco para governar.

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