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Dia de ser barco e de ser navio. Esther Rosado

Há dias que deixam nascer de si sóis amarelos, acácias que flutuam, vento e um pequenino buquê de margaridinhas amarelas; há outros que deixam morrer sentimentos, pessoas, horizontes.

Há dias de escutar mentiras que se aceitam como verdades; outros   nos quais soluçamos baixinho ouvindo as sinfonias mais queridas.

Há dias brincalhões e dias sujos; há dias de cetim e dias de algodão cru, sem brilho.

Há dias quando, por ser novembro, explodem jasmins do Cabo, tão cheirosos e limpos, tão do Universo, tão brancos como a nuvem mais alta. Outros, sem jardim nenhum.

Há dias destroçados; outros tão perfeitos, mas tão perfeitos e neles há bambus que balançam ao vento, barulho maravilhoso.

Há dias que nada nos acrescentam, outros   quando o pássaro voa e seu ninho está cheio de bicos barulhentos.

Há dias de mal querer; outros de sinos repicando.

Há dias de alegria dançante; outros de larga tristeza, dias de velar o amigo.

Leve sopro, a Vida.

Uma folha ao vento, um amor demasiado no coração.

E muita gente gastando a Vida economizada e transformada em moeda, em trabalho excessivo, em demasiada falta de afeto, amor à vida.

Gente indignada contra o que não fez, sem buscar a raiz, a origem, o amor de verdade.

Gente que cobra, mas não tem a iniciativa para a paz e a alegria.

Gente que esqueceu todas as canções e trocou tudo pelo ódio cultivado de pouco em pouco e vinagre, gente que só parece feliz.

Há dias de estar no mundo e outros de perturbar a paz dos outros.

Dias de rio e dias de oceano.

Dias insólitos: o nascimento de um siso, outros, o nascimento de um canino.

Dias cheios de luz, dias nublados.

Dia de montanha e dia de planície.

Dia de ser barco e de ser navio.

Dia de nascer e dia de morrer. Há dias para tudo.

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