Acompanhe aqui os números da COVID-19 em Jacareí

Dia 32 de dezembro de 2020

Mais de 190 mil mortes. Estimativas, devido a subnotificação, revelam que já podem ser 230 mil. Pessoas desempregadas, auxílio emergencial negado. Transeuntes sem máscara, centros das cidades lotados, bares e restaurantes com muitas confraternizações – tudo isso e muito mais acompanhados pela desinformação, teorias da conspiração e fakenews ao gosto do egoísmo brasileiro.

Estamos em 32 de dezembro e tudo continua o mesmo. Ainda que as pessoas se alimentem de ilusões e desejam renovação no Natal e recomeço no Ano Novo, tudo é o mesmo debaixo do sol, em um jargão bíblico e real – uma realidade que a hipocrisia daqueles que professam uma fé sem atitudes não muda.

Ao lado do aumento do número de mortes, é quase impossível, suponho, que um brasileiro já não tenha se aproximado do COVID-19. Seja seu parente, vizinho, o cunhado do seu amigo, aquele cara que você adicionou no Facebook ou a própria suspeita da doença obrigando-o a um isolamento de 15 dias, a maioria de nós, nestas terras tupiniquins, conhecemos a realidade e a gravidade da doença para continuar, insistentemente, diminuindo ou negando-a.

Nosso país está atrasado no acesso às vacinas, brigas políticas começando pelo mais alto escalão de nossos representantes levaram o nosso país a uma realidade de emendar a primeira onda da doença com uma segunda onda junto com as mutações do vírus. Ainda que a corrida pela imunização avance – o que tanto desejamos – especialistas (especialistas!) afirmam que usaremos máscara por mais um ano até a imunização de rebanho – quando a maioria das pessoas estarão vacinadas.

O fato é que continuaremos nos limites, em distanciamento e nos novos hábitos de higiene a cada dia. Máscara no rosto e álcool nas mãos vieram para ficar. Essa pandemia será a nossa sombra. O mais dramático de tudo isso é que já ultrapassamos os limites da falta de sociabilidade, neste fracasso enquanto sociedade por não se importar com o outro.

O conceito de liberdade difundida por aqueles que buscam voto, likes ou falso moralismo, deturpam o viver em sociedade, pois não consideram os danos causados ao outro, desrespeita a Constituição pois é crime propagar doença e não compreende que não existe liberdade individual sem liberdade coletiva. O direito individual na busca de oportunidades, nas liberdades defendidas na Lei existe ao lado do respeito ao bem público, do bem estar coletivo, da justiça social. Uma coisa não exclui a outra!

Por isso, essa camiseta com tons dourados na mudança de 31 de dezembro para o dia seguinte, nas simpatias, nas cores específicas das roupas para uma sorte desejada, nas lentilha sobre a mesa ou os muitos pensamentos positivos em nada mudam que apenas passamos de um dia para o outro, com a realidade se agravando. A verdadeira cor que existe é a do luto ou da indiferença. Ainda estamos presos a 2020, neste dia 32 de dezembro.

Professor Gustavo Montoia

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba.

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