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Crise na saúde + econômica + política preocupa

Rogério Nakata

Se não bastasse a crise na saúde provocada pelo corona vírus tivemos e ainda enfrentamos grandes desafios também na área política. Após a saída, em um mesmo mês, de dois ministros o receio de que os problemas se seguirão além da pandemia são cada vez mais evidentes e com o acirramento das tensões entre o governo federal, governadores e prefeitos o clima de instabilidade de um país que já vinha com uma taxa de desemprego, pré Covid-19, de mais de 12 milhões de desempregados causam ainda mais preocupação além daquelas já provocadas pela própria doença que se alastra com um ritmo cada vez mais acelerado. É difícil ter o tamanho da dimensão de como isso nos afeta em nosso dia-a-dia, por grande parte da população, mas quanto mais tempo levarmos para corrigir estes ruídos, gerando a cada dia uma nova polêmica, mais tempo levará um país para recuperar a sua economia. O foco deveria ser no verdadeiro inimigo que é o vírus, que não é somente contagioso e mortal do ponto de vista do número de contágios e mortes, causados pela Covid-19, mas por atacar, principalmente, o Sistema de Saúde público e privado, ocupando massivamente os leitos de UTIs por, em média, 2 semanas em todos os Estados da confederação. Somado a isso, escancara o enorme contingente de milhares de pessoas que não constavam sequer nos cadastros e programas assistenciais do governo, não exclusivo desta gestão, mas de todas as anteriores, como se estas fossem verdadeiros fantasmas e que agora aparecem muito bem vivas nas filas da Caixa Econômica para tentar receber seu primeiro Auxílio Emergencial de toda uma vida.

No campo dos investimentos, os atritos políticos e declarações desnecessárias para o momento atual pioram ainda mais nossos números como o PIB anunciado para este ano pelo Banco Central que está previsto para -4,7% sendo que dados anteriores mostravam um “crescimento” próximo de 0. Tudo isso, deixando claro que não é apenas esta a razão pela qual estamos enfrentando uma crise que vai além da pandemia mas que, sem dúvida nenhuma, afasta os investimentos estrangeiros que correspondem a mais de 70% dos investidores em Bolsa sendo que só neste ano tivemos a saída de quase 73 bilhões de reais. Isso demonstra que não somente os juros mais baixos pagos pelos países emergentes, como o Brasil, ocasionam esta fuga em massa de capital estrangeiro, mas as questões políticas aumentam as incertezas por parte dos investidores internacionais sobre a capacidade que um país tem de aprovar reformas importantes para sua reestruturação e estabilização econômica buscando, por sua vez, países onde se tem uma perspectiva mais clara de uma recuperação mais rápida do que a nossa que, pelo andar da carruagem, se continuarmos com uma nova polêmica por dia, talvez, a luz no fim do túnel seja na verdade um trem vindo no sentido contrário e o desastre será inevitável.

De uma coisa temos certeza de que nada será como antes e que, ninguém, absolutamente ninguém sairá desta crise sem uma cicatriz, alguns com marcas mais profundas outros mais superficiais. Pessoas, infelizmente, perderão seus empregos e empresas terão um novo modelo de trabalho e de negócios, talvez, muito diferentes ao que possuíam até hoje após, experimentar forçosamente e até antecipadamente as ferramentas digitais, sejam de e-commerce ou de videoconferência.  Exemplos estão sendo expostos a cada dia no mundo dos negócios e até em grandes conglomerados financeiros que adotarão para SEMPRE o modelo de home office (trabalho em casa), cujo qual, demonstrou ser, em muitos casos, mais produtivo do que os longos períodos de deslocamentos no trânsito até os escritórios demandando no futuro, mais próximo do que imaginado, menor espaço físico somado ao aumento de produtividade. Outro exemplo são as companhias aéreas e hotéis que terão que se reinventar em razão do número menor de passageiros e hóspedes de viagens à trabalho, que agora poderão ser realizadas por meio de teleconferências, seja pelo computador ou por um simples smartphone. Será um Novo Normal que conecta as pessoas, mesmo isoladas em casa, de forma que não se sintam tão solitárias, mas que também servirá para o trabalho, para a manutenção, extinção e geração de novos empregos. Enfim, neste Novo Normal serão requeridos líderes que possam trazer um pouco mais de certeza e de conforto às pessoas e às famílias, sempre baseados na ciência, num momento delicado em que estas se encontram confusas e apreensivas não somente com sua saúde, mas com seu futuro financeiro e que mais crises políticas farão com que o agravamento da crise seja ainda maior do que a própria pandemia, fazendo com que levemos mais tempo para nossa recuperação em relação aos demais países.  Portanto, o que podemos fazer como cidadãos neste momento é seguirmos as orientações das autoridades para preservação de nossa saúde física e emocional sem se descuidar de nossa saúde financeira seja hoje, mas também muito mais daqui em diante.

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