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Conheça o PIX o novo jeito de transferir recursos eletronicamente

*Por Rogério Nakata

Diante de toda a antecipação de tendências na área da tecnologia digital como foi com o setor de e-commerce ao longo da pandemia, e das pessoas serem praticamente obrigadas a fazer pela primeira vez na vida uma compra online ou pagamento de sua conta pela internet, um lançamento chamou bastante à atenção nesta segunda-feira pelo Banco Central, que foi o sistema de transações denominado de PIX e que está disponível incialmente para cadastro do usuário junto as instituições financeiras.

Tecnologia esta que a partir de 16 de Novembro estará disponível a todos os brasileiros como uma ferramenta que veio para ficar já que é um meio de pagamento simples, transparente, sem a necessidades dos dados bancários de quem paga e de quem recebe mas que serão identificados, obviamente, antes da finalização da transação com a utilização apenas, de um smartphone e de um QR Code que poderá ser estático ou dinâmico.

Além de agilidade nas operações este sistema estará disponível 24h por dia, 7 dias na semana, 365 dias ao ano, onde as transferências monetárias poderão ser realizadas em tempo real sem a necessidade de intermediários, como se faz hoje em dia através dos bancos via operações de TED e DOC, propiciando, com isso, menores custos de transação e operações fora do horário de expediente bancário.

A promessa é que as transações sejam executadas em média em até 2 segundos e no máximo 10 segundos, sendo que poderão ser pagas compras oriundas de aquisições online, contas de energia, água, internet, telefone, faturas de cartão de crédito, boletos e até mesmo, o pagamento de serviços públicos como taxas para retirada de passaporte, por exemplo. Quanto as questões relacionadas as transferências através do PIX elas poderão não somente ser de empresa para empresa, pessoa para pessoa, mas também de uma pessoa para uma empresa e vice versa.

Todas as transações serão realizadas através do que eles chamam tecnicamente de chaves de endereçamentos que serão nada mais que a porta de entrada para ativação das transações pelo PIX que podem ser o número do celular, CPF ou e-mail. Todos, previamente cadastrados nas instituições em que o usuário possui conta para que possa fazer uso do novo meio de pagamento. É importante ressaltar que todas as operações só serão efetivadas com a autenticação do usuário através de senha ou leitor facial.

A estimativa segundo consultorias especializadas é de que os grandes bancos perderão 19 bilhões de reais por ano já que não serão mais cobradas transferências monetárias realizadas através, por exemplo, de terminais eletrônicos, TEDs e DOCs, assim como o pagamento de taxas de maquininhas de cartão de débito e tarifas de boletos, porém, haverá uma redução significativa já que os custos operacionais com aluguel e mão de obra serão menos necessários.

A razão pela qual o BC criou este sistema foi para justamente aumentar a competitividade do setor de pagamentos de varejo no Brasil através de um novo meio de pagamento eletrônico para o mercado brasileiro mas também pensando na questão da democratização do acesso aos bancos já que há 45 milhões de pessoas desbancarizadas ainda no país.

Uma das consequências da criação do PIX será a diminuição no número de saques já que praticamente a partir de Novembro a maioria das transferências se dará, na sua grande maioria, pelo novo meio eletronizado de pagamento. Talvez, por essa a razão que o governo esteja tão interessado em criar um imposto sobre todas as transações eletrônicas semelhante a antiga e famigerada CPMF (Contribuição PROVISÓRIA sobre a Movimentação Financeira).

Cobrança esta que era para ser provisória e se tornou permanente, vigorando por 11 anos (1997 a 2017) e que arrecadou R$233 bilhões segundo dados da Receita Federal. Uma coisa importante de salientar é que apesar da contribuição ter sido criada para fomentar a saúde, a lei não obrigava o governo a fazê-lo e como consequência desta brecha R$33,5 bilhões foram utilizados para financiar outros setores na época, segundo informações da Agência Estado coletados da Secretaria da Receita Federal, Tesouro Nacional e Unafisco.

Por fim, o PIX faz parte da AGENDA BC# que é um ecossistema de pagamentos instantâneos brasileiro que está em desenvolvimento dentro da dimensão Competitividade.

Acredito que o que todos nós esperamos com esta inovação é que o consumidor, no final das contas, tenha de fato um benefício real ao fazer uso da tecnologia que trará menores custos a todos os seus usuários dando maior agilidade e transparência nas transações mas também que a tecnologia possa trazer mais inclusiva para aquelas pessoas que não tem hoje sequer uma conta digital e, portanto, um avanço tão significativo no meio de pagamentos não deve ser acompanhado de um retrocesso com a criação de um “novo” imposto sobre operações digitais e para que o filhote, recém-nascido, não seja condenado a morte ainda no ninho.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações. E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br

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