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Como confiar nos políticos?

*Por Gustavo Montoia

Uma pesquisa realizada em 2016 apontou que apenas 6% dos brasileiros confiavam nos políticos. Com entrevistas em 27 países, a pesquisa da GfK Verein, apontou que os prefeitos são os menos confiáveis dentro deste universo de desconfiança dos brasileiros.

Desde o fim da ditadura militar, a política da cidade se tornou muito mais expressiva justamente pela proximidade com a realidade, afinal de contas, enxergamos diretamente os problemas das cidades que residimos.

Contudo, com o passar dos anos, a figura dos políticos locais – como o prefeito e os vereadores, se tornou apática para os brasileiros. O que existe é um sentimento de que eles não são capazes de realizar grandes mudanças, algo que depende apenas de governadores e do presidente.

Voltando mais longe ainda na história do Brasil, uma população esquecida pelos representantes políticos, que não participou ativamente de grandes mudanças no país (com raras exceções), sempre enxergou-os como um mundo à parte. Quem nunca ouviu de seu pai ou avô que não adianta nada votar ou esperar algo bom deles?

Essa descrença só vem aumentando nas eleições, pois, o que se verifica, é o aumento do número de pessoas que se ausentam no dia da votação. Viajar, justificar o voto ou pagar a irrisória multa se tornou muito mais confortável.

Essas situações, dentre outras, demonstram que é difícil acreditar que uma proposta de governo será capaz de prosperar. Eis um grande desafio para aqueles que serão eleitos neste ano – um trabalho que recupere a confiança dos cidadãos.

Esse caminho não é uma crença de que tudo serão flores. Todavia, algumas coisas já podem apresentar resultados: uma administração transparente com orçamento e planos executados, uma equipe que apresente coesão e não conchavos, um profissionalismo que responda aos anseios dos habitantes.

Robert Putnam, autor de Comunidade e Democracia, apresentou em seus estudos que os políticos mais próximos da realidade local, que procuram relações horizontais, que se preocupam com resultados de seus programas e objetivos do mandato, que se envolvem com a vida da comunidade conhecendo de perto suas necessidades, são aqueles que podem alcançar um nível de confiança maior.

Contudo, a resposta à pergunta “como confiar nos políticos?”, deve vir ao lado de outra: “o que desejamos para a nossa cidade?”. A resposta para esta última pode esclarecer muito dos motivos pelos quais escolheremos nossos candidatos.

Por que votamos em quem votamos? No dia do pleito pegamos o primeiro papel no chão e votamos naquele número aleatório? Escolhemos o candidato cuja música de campanha ficou fixada em nossa memória? Votamos naquele que se compromete realmente com as necessidades escancaradas à nossa frente? A nossa preocupação é com o candidato que apenas se preocupa em atender interesses de um grupo?

Muitas vezes escolhemos um candidato e nem conhecemos suas propostas, quando são elaboradas contra o nosso próprio interesse. Nessa época que vivemos, corremos ainda o risco de votar naqueles que desejam suprimir direitos. Precisamos conduzir os políticos para se adequarem às nossas necessidades enquanto cidadãos e não o contrário.

A ampliação de nossa consciência ao refletir sobre o que está escrito aqui não é uma garantia plena de que os políticos eleitos cumprirão suas metas ou responderão às nossas necessidades. Mas elas podem colocar medo neles. E isso já é um avanço. Precisamos reagir.

Professor Gustavo Montoia

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba.

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