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Como a guerra Rússia e Ucrânia afeta a vida dos brasileiros – Rogério Nakata

Bem as vésperas de diminuirmos mais fortemente as restrições impostas pela pandemia do coronavírus, como muitos Estados já estão fazendo ao liberar as máscaras em ambientes abertos, surge um novo desafio, uma guerra que assim como a covid não era esperada pelo mercado, mas que foi deflagrada no último dia 24 de fevereiro com a autorização do presidente russo, Wladimir Putin, para que suas tropas avançassem pelo território ucraniano. Não era muito difícil de se imaginar que um contingente tão grande de soldados e equipamentos militares deslocados e posicionados há meses estrategicamente ao longo da fronteira da Ucrânia não acabaria em uma invasão e, por sua vez, em uma guerra. Depois da crise inesperada causada pelo coronavírus surge agora uma outra que é um reflexo da guerra que impacta não somente a vida de todos os ucranianos, mas também de todos nós brasileiros mexendo com a nossa Qualidade de Vida e com os nossos investimentos.    

No fim da semana passada já pudemos sentir os efeitos deste conflito com o aumento dos combustíveis que já vinham sendo represados, antes até mesmo, do conflito e que na última sexta, dia 11, fez com a Petrobras reajustasse os seus preços nas refinarias e consequentemente chegando nas bombas de combustível de todo o país. Um aumento, que em comparação ao seu preço médio comercializado nas últimas semanas, fez com que a gasolina tivesse uma alta de 18,77%, de 25% no diesel e de 16% no gás de cozinha (GLP). Tudo isso, no final das contas interfere na cadeia de transporte, produção e alimentos que serão impactados por este aumento e estes custos, por sua vez, repassados para o consumidor final ao ir até uma padaria, supermercado, quando for se alimentar fora, nos fretes das mercadorias, no transporte alternativo e coletivo, por exemplo. Para aqueles que possuem automóvel será necessário mais reais para encher o tanque de combustível que continua com a mesma capacidade, mas com valores apreciados. Na média os preços da gasolina, já ultrapassavam os 7 reais e alguns rincões do país, como no interior do Acre, em Jordão, a gasolina está sendo vendida a R$11,56.

E por que tudo isso? A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, responsável pela produção de mais de 10 milhões de barris por dia sendo que comparado com o Brasil nosso fornecimento é de 3 milhões de barris dia, ou seja, de apenas 30% apenas da capacidade russa. Com isso, pela conhecida lei da oferta versus demanda quando se tem uma queda no fornecimento mundial e uma demanda alta, em razão da retomada de muitas economias pelo mundo, faz com que o preço desta commodity aumente afetando, com isso, o bolso de milhares de brasileiros. Isso porque com o aumento do preço dos combustíveis temos um aumento da inflação que ficará acima do centro da média do Banco Central e cuja expectativa de perda do poder de compra das famílias está em 6,45% para o IPCA em 2022, segundo o último boletim Focus de 11 de março. Com a expectativa de aumento da taxa básica de juros que estava em 12,25% no penúltimo relatório e que foi reajustado para 12,75%, conforme abaixo, muitos analistas de mercado já vem uma alta nas taxas de juros futuros ultrapassando os 13% ao ano.

Pode ser uma imagem de texto que diz "IPCA(%) 2022 6,45 2023 3,70 ಶ್ರೀ PIB (var. %) 2022 0,49 2023 1,43 CÂMBIO (R$/US$) 2022 2023 5,30 5,21 $ SELIC (%a.a.) fim de período 2022 12,75 2023 8,75 meta fim de período BANCO CENTRAL DO BRASIL Aumento Diminuição Estabilidade"

Outra coisa importante é que além de um grande fabricante de fertilizantes os russos respondem também por um terço de todo o trigo e um quinto do milho produzido no mundo. Pela mesma lógica acima descrita para o aumento do preço dos combustíveis a escassez destas ofertas destas duas commodities faz os preços subirem, mesmo tendo a Argentina como nosso principal fornecedor de trigo, afetando o pãozinho nosso de cada dia e as massas em geral. No caso do milho que, além de ser utilizado como combustível, serve também de alimento para os seres humanos e é importante insumo para a alimentação de animais de corte como o gado, suínos e frangos, por exemplo. Só o trigo já acumula uma alta de 55% em 2022.

Em resumo, por estarmos num mundo globalizado, as consequências de um conflito a mais de 10 mil Km afetam, sim e muito, o nosso cotidiano que já não era um dos melhores, beirando a estagflação onde as perspectivas ainda são de baixo crescimento e alta inflacionária. Para as finanças pessoais, por mais um ano, não é o momento de tomar empréstimos inconscientemente pois, o crédito está cada vez mais caro, em razão das constantes altas da Selic, e nem de assumir dívidas de longo prazo, como financiamentos atrelados a índices como IPCA que poderão ser impraticáveis para o consumidor que possui ou pretende assumir compromissos de médio e longo prazos caso a inflação continue acelerando.

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Rogério Nakata é Planejador Financeiro CFP® da Economia Comportamental e palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações.

E-mail: atendimento@economiacomportamental.com.br

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