Acompanhe aqui os números da COVID-19 em Jacareí

Com tendência de ensino à distância, alunos de escolas particulares migram para a rede pública ou colégios com mensalidades mais baixas

Após o anúncio do Ministério da Educação (MEC), em dezembro do ano passado, permitindo que as aulas continuem remotas enquanto durar a pandemia, as escolas particulares enfrentam uma debandada de alunos de todo o País. Segundo a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, a transferência de alunos dos colégios particulares para a rede pública cresceu mais de 10 vezes, em relação ao ano anterior. O movimento é idêntico em todo o País. O Grupo Rabbit acaba de divulgar pesquisa com mais de 1.400 escolas e 435 mil alunos, apontando queda de 30% no número de rematrículas para 2021.

“Com a perda de renda das famílias, a saída dos alunos da rede privada está ocorrendo porque as escolas particulares não estão entregando uma educação adequada”, explica Ismael Rocha, doutor em educação e diretor acadêmico do Institute of Technology and Education (Iteduc), especialista em ensino híbrido e digital. “Sabemos que o ensino a distância necessita de didática específica, sendo que a lição de casa não está sendo feita da forma adequada pela gestão das escolas.”

Resultado: os alunos das escolas particulares estão perdendo o interesse pelas aulas e são apoiados pelos seus pais que, por sua vez, agora acompanham de perto a situação. Em resposta ao problema, as famílias buscam alternativas mais baratas ou decidem migrar de vez para a rede pública de ensino.

Para o especialista em educação Ismael Rocha, do Iteduc, o desinteresse dos alunos ocorre pela forma como as escolas particulares estão trabalhando a relação ensino/aprendizagem. “A rede privada deve agora se empenhar para capacitar seus professores para o ensino remoto com qualidade”, avalia ele

A pergunta que fica, para o especialista, é como as escolas particulares sobreviverão a este cenário. Para ele, a realidade seria diferente se o ensino remoto não tivesse sido negligenciado. “Nas poucas escolas que conseguiram fazer esse ajuste para a dinâmica do virtual, os pais estão preferindo manter os filhos estudando nesses locais, pois consideram que o esforço está valendo a pena”, avalia Rocha. Porém, a capacitação ainda acontece em caráter de exceção. “A grande maioria dos professores apenas ligou a câmera e deu aulas expositivas, da mesma forma como faria presencialmente, o que não funciona”, afirma o especialista.

Ele explica, ainda, que embora os alunos sejam nativos digitais, a maior parte dos professores não é. “Esses profissionais ainda desconhecem a abordagem correta para usar as tecnologias como recurso pedagógico”, afirma. Para reverter o cenário de crise dos colégios particulares, só mesmo adequando o ensino à realidade dos alunos, diz o diretor do Iteduc. “Os gestores de escolas particulares devem priorizar investir na capacitação dos professores, que devem estar aptos a conduzir aulas mais dinâmicas e envolventes, dentro de uma proposta contemporânea”, conta Rocha. 

Segundo Ismael, a formação dos professores com foco no engajamento dos alunos será decisiva para a sobrevivência das escolas particulares nos próximos anos. As prioridades das escolas particulares também tenderão a mudar. “A tendência é o foco se voltar para a conquista do maior engajamento dos alunos para o aprendizado, e não mais na estrutura física das instalações, por exemplo”. Outro ponto importante levantado por Rocha é a necessidade de uma mudança de postura pelo professor, que deve assumir papel de mediador. “Por mais que os alunos tenham familiaridade com tecnologias, é importante que o mestre faça a curadoria e a mediação dos conteúdos e abrace seu papel de tutor”, explica.  

Deixe uma resposta

Top
WhatsApp chat
%d blogueiros gostam disto: