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“Cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu!”

O dia amanheceu nublado e eu também estou assim, quase chovendo. A quarentena no dia a dia, a casa, as gavetas, os livros, os jornais pela manhã, os telejornais. Vi hoje o presidente marchar até o STJ e ser recebido por Tofolli. Cercado de empresários e do Paulo Guedes, vulgo Posto Ipiranga, parecendo pronto para tomar de assalto aquela instituição. Mas não. Não entendi o que foi fazer lá. Toffolli os recebeu, ouviu queixas e fez uma advertência e tudo ficou por isso mesmo.

Há dias, ouvi o “Cala a boca!, Cala a boca!” gritado aos jornalistas de plantão no gradil do Palácio, o que havia feito os ministros do STF se mobilizarem para a lembrança do Artigo 5º. Da Constituição Federal, a Constituição Cidadã de 1988, para feitura da qual elegemos os tais “constituintes”. Nela, devolveu-se aos brasileiros acossados por duas décadas pelo regime militar, a liberdade de ir e vir, o direito de todos serem iguais perante a lei e, sobretudo,

“IV –  é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; ”, além de:

“ IX –  é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”

Quem gostar de História do Brasil, pode ir ao Youtube e assistir à promulgação da Constituição feita por Ulysses Guimarães em prol da Liberdade, Dignidade e Democracia. Ele quase chora ao dizer “Declaro promulgada a Constituição e que Deus nos ajude que isso se cumpra.”

Fico imaginando o Senhor Diretas Já (se você não sabe por que, vá estudar, vá estudar!), assistindo ao descalabro e ao  desrespeito às garantias individuais hoje, a um presidente da República gritando o seu “Cala a boca! ”, dirigindo-se furiosamente a um repórter (e, portanto, a todos os jornalistas do país), brandindo a Folha de São Paulo, símbolo da resistência na época do golpe militar.

Hoje, os militares estão no poder, mas já disseram que não desejam tê-lo à força. Embora o presidente ouse dizer que recebeu apoio deles e tenha adentrado hoje o STJ numa espécie de forçacão de barra, os tempos são outros. Aliás, os jornais internacionais têm escrito poucas e boas da personalidade histriônica do Jair. Resta esperar.

Resta esperar como já esperamos longamente um dia até que essa nossa Pátria Mãe acorde e nós todos, brasileiros, acordemos. Nas décadas anteriores ao regime militar e posteriores a ele, elegemos ,subsequentemente, gente personalista, egolátrica, egocêntrica e narcisista, perversos e desobedientes às leis. Mas, amanhã será outro dia.

Das dificuldades e das decepções também nascem os que saberão escolher melhor. Deus nos cuide.

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