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As multidões escolhem Barrabás, pela desinformação

“Eis ali o Messias”, não acreditem - Gustavo Montoia

Breno é um motorista de aplicativo que me levou até minha residência estes dias. Ao comentar sobre parentes mudando-se para o exterior, ele manifestou desejo semelhante. Em nosso diálogo, cheguei a comentar a insatisfação política com o país e o atual presidente. Em meu cenário (e o de muitos), sua reeleição pode piorar mais ainda o país. Nesse momento não consegui falar mais nada, pois, simplesmente o motorista, um jovem de, aproximadamente 20 anos, disparou a falar “então você votará no Lula, no homem mais inocente desse país? Esse cachaceiro, bêbado, que falou que todos deveriam ser mortos na Ucrânia?” Não houve tempo suficiente para abordar a possibilidade de outros candidatos ou que algumas informações eram falsas ou apenas moralismo de sepulcros caiados.

Em redes sociais, coloquei dados do aumento da fome em nosso país, da situação catastrófica da inflação e da mesa do brasileiro que, a cada dia, tem menos produtos para o consumo. Uma pessoa apenas respondeu “a saúde em primeiro lugar, a economia a gente vê depois, não foi isso que defenderam?”. O orgulho de ter razão solavancou a empatia, em um mantra repetido só para vencer, mesmo que superficial. A inocência do presidente é “inquestionável”. Nas postagens destes arautos do bolsonarismo, moralismo, frases de efeito e orgulho pela desgraça alheia competem à defesa de armas e amor cristão.

Da mesma maneira, quando os governos petistas são questionados, você só pode ser fascista, promotor da barbárie e defensor da destruição das conquistas sociais. Não existem outras opções, ou melhor, todas elas são submissas ao mercado, esse nefasto agente de desigualdade, neoliberal, destruidor da democracia. Todos aqueles que não votaram no PT são responsáveis pelas mazelas do país: nunca os escândalos de corrupção, erros econômicos, casamento entre setores reacionários da sociedade favorecidos pelas comodities e Governo são itens discutidos, “é a mídia, tudo culpa da mídia”.  

Ciro Gomes se tornou candidato da direita, por romper com o PT, Marina Silva, achincalhada na disputa eleitoral com Dilma em 2010, e, apesar dos méritos reais entre os anos 2000 – 2010, a única saída é Lula-Alckmin, esses dois galos de briga que agora chocam os mesmos ovos. Direitos civis, estabilidade democrática, comida na mesa, ascensão social são desejos capturados apenas pelo petismo, cujos asseclas sentam na mesa com aqueles que um dia acusaram de golpistas.

“As multidões mentem” afirmou Eugene Peterson. Mas, elas mentem motivadas por aqueles que desejam comandar o jogo, acrescento, nas afirmações distorcidas que tanto rezam. Quando todos pediram a soltura de Barrabás e a punição da cruz a Jesus, as multidões estavam no auge emocional estimuladas pelo grupo religioso que desejava ver o fim da influência do Messias. É a emoção na política que aumenta a libido do moralismo, move grupos às ruas, e geram mantras IRREFLEXÍVEIS, que repetem, repetem, repetem a tal ponto que não encontram mais o fio da meada da explicação. É a retroalimentação da polarização que beneficia os manipuladores.

Os erros dos outros são imperdoáveis para estes tiranos do politicamente correto, expressão já subvertida em sua lógica que torna absoluta a sua verdade, sem aceitar a de mais ninguém. Fascista, stalinista, autoritário, imoral, “sem dignidade se não votar em quem penso” tornam-se adjetivos constantes daqueles que já desistiram da democracia que nasceu no diálogo da ágora. Curiosamente isso é justamente o que tanto afirmam defender nesse jogo de soma zero para a cidadania entre Lula e Bolsonaro.

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