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As coisas são assim mesmo. Gustavo montoia

Somos educados a todos os dias, tratar várias ações e eventos como naturais. Por exemplo: se as grandes empresas precisam lucrar, é natural mandar pessoas embora ou partir para outro país mesmo depois que ela sugou os recursos humanos e naturais de uma nação, quando ainda ganha perdão de anos de impostos não pagos! Ora, eles são os empregadores, precisam de ajuda.

Diante da crise econômica, o Estado precisa ser “menos pesado”. Não importa se o orçamento secreto destina dinheiro aos parlamentares na casa do bilhão, ou que funcionários públicos de alto escalão, deputados e presidente ganhem, além de altos salários sem desconto em imposto de renda, uma série de “auxílios” para viagem, roupa e funcionários. É o trabalhador que precisa perder direitos trabalhistas, pois aí está o gasto excessivo! Veja: diminuem a seguridade social e flexibilizam leis de trabalho a ponto de uma pessoa contratada ter a possibilidade de não receber, por exemplo, décimo terceiro; demora mais anos para ela se aposentar, pois, só assim mais empregos serão gerados.  

Na rádio, na TV ou na internet “especialistas” falam continuamente que a solução está na instabilidade do trabalhador, que se torna precarizado. O cara agora trabalha horas excessivas, sem direito a férias remunerada, auxílio-doença, abre uma MEI para desobrigar o empregador e é chamado de empreendedor. Desempregados? Trabalhadores informais? Não! São microempresários. Resolveu-se o desemprego!

Nesse liberalismo aos moldes brasileiros, em que todos “mamam” no Estado, inclusive a iniciativa privada, o crescimento do PIB é a prioridade. O país cresce economicamente e isso funciona como uma onda que traz consigo melhorias sociais. É lógico, então, que, para isso ocorrer, os produtos agrícolas precisam ser vendidos a preços internacionais. “É óbvio que o agrobusiness vai priorizar a exportação, como sempre! O dólar sobe em disparada e o lucro é alto. Não existe cabimento em pensar na mesa do brasileiro, sinto muito. As coisas são assim mesmo”.

O mesmo é a alta do preço da gasolina sendo culpa dos governadores. Só pode ser deles. A Petrobrás é uma empresa de economia mista em que o Governo Federal é o acionista majoritário. Solução: reduz um pouco a fatia do lucro para aplacar o preço. Mas, o correto é possuir muitos dividendos, como ocorreu esse ano: 81,7% de crescimento em relação ao ano passado, na casa dos 60 bilhões.

Entretanto… se o Estado é majoritário, porque não “abre mão” de parte do lucro? Por que os governos estaduais devem reduzir o imposto para tentar baratear o combustível e, assim, complicar o orçamento para suas ações? Adiantaria realmente com o petróleo brasileiro sendo produzido a preço de dólar?

Esses são alguns exemplos que somos acostumados a encarar como a obviedade do funcionamento da sociedade. É o sucesso do capitalismo que, em terras brasileiras, apenas reforça a ideia de que o país funciona mesmo para a minoria de sempre. Todavia, importante é que “deus” está acima de tudo e nos livramos das garras de um governo comunista.  

Nas redes sociais sempre alguém posta imagens de pessoas passando fome na Venezuela ou a crise em Cuba. São argumentos usados por aqueles que desejam apontar como o socialismo é um fracasso! Contudo, no Brasil, diante do aumento de pedintes, de pessoas passando fome, nunca o capitalismo é culpado por não atingir todas as pessoas.

Mas isso, é, de fato, o sucesso do capitalismo, esse modelo de sociedade que dura mais de 400 anos pensado para o benefício de poucos. Sua exaltação reside na desigualdade social, tratada de forma natural como resultado de esforços individuais. E, no Brasil, mandamos muito bem.  As coisas são assim mesmo: alguns ganham, outros perdem. Aos pobres e famintos… coitados! Façamos caridade, que ajuda no momento e nunca resolve o problema. Os “homens bons” doam aos menos favorecidos.

Essa produção da normalidade é ainda cimentada pelo discurso da teologia da prosperidade, que seduz muitas igrejas por atrair pessoas: essa pregação em alguns templos religiosos de que o sucesso de sua vida e as bênçãos divinas advém apenas de sua fé. Se as coisas não acontecem, é porque você, simplesmente, não a possui ou porque pecou. Nada de compreensão histórico-geográfica da sociedade. Assim, a culpa cai no indivíduo e o capitalismo vence mais uma vez.  É a religião pautada no consumo como ópio da fé 2.0, na qual alguns gurus e pastores, alguns padres, coachs, políticos ditos liberais, o vizinho, o cara na mesa do bar, apenas repetem que tudo na vida depende somente de você. Pobre coitado o faminto que pouco se esforçou, pois já aprendemos: “as coisas são assim mesmo”.

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