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A Geografia serve para pensar o amanhã

Professor Gustavo Montoia

Apesar de muitas pessoas olharem a disciplina de Geografia como um mero conteúdo escolar, muitas vezes desvalorizado, está nesta ciência o pensar para a vida em sociedade no amanhã. Todas as vezes que diminuímos o pensamento geográfico e a contribuição que ele oferece para o mundo, estamos nos submetendo a quem domina esta forma de pensar para seus interesses pessoais, eleitoreiros ou empresariais.

A Geografia produz uma forma de pensar sobre a nossa vida. Está no lugar em que vivemos, no chão que pisamos as respostas que procuramos. Este vírus que se alastrou mundo afora coloca “em cheque” como os lugares que as pessoas vivem estão. Como é cada estilo de vida e suas possibilidades.

Cada cidadão possui possibilidades a começar pelo lugar que ele vive. Os serviços públicos e a sua qualidade em prestá-los para as pessoas, a facilidade dos acessos pelas ruas, transportes e comunicações, a qualidade das necessidades básicas como água encanada, esgoto tratado, iluminação pública, locais de lazer, proximidade com escolas, unidades de pronto atendimento, entre outros, geram facilidades ou obstáculos.

As nossas relações sociais também estão ali, no lugar em que vivemos. Precisamos olhar bem para ele e refletir os motivos pelos quais ele é desse jeito. E, ao olhar para este lugar, para outros lugares, devemos pensar se, de fato, os bens e serviços que existem é o que as pessoas merecem, ou, se todos merecem simplesmente pelo fato de que cada um existe. E, existir, é o suficiente!

As preocupações legítimas com os moradores de favela, com as pessoas que moram em bairros afastados e precários, com as cidades cujos serviços são deficientes há muitos anos “gritam” em nossos ouvidos com esta paralisação que a pandemia do novo coronavírus trouxe. E dessa vez, podemos aprender que o trabalho heroico de agentes sociais não é eterno. Ainda que eles estejam lá, no dia a dia, sofrendo e ajudando as pessoas, quando tudo terminar, a sociedade deve fazer a sua parte.

É neste sentido que o pensamento geográfico ousa afirmar que serviços públicos essenciais, lugares com infraestrutura digna devem ser oferecidos porque a humanidade está ali – e isso basta! Não são impostos e nem a capacidade produtiva os fatores que dignificam um grupo populacional merecer algo a mais que o outro.

E, se assim desejamos um país que de fato mude a sua realidade, precisamos mudar a nossa percepção. Usando as palavras de Milton Santos, é na “simples necessidade de continuar existindo” que o mundo deve pensar, que deve desejar para o outro o bem que quero para mim mesmo, nesta máxima, que é bíblica e que deve cercar nossos pensamentos. Talvez, por aí “chegue o despertar”. E ainda que não seja pleno, que produza uma caminhada em direção a um amanhã.  

Gustavo Montoia é geógrafo e doutor em Planejamento Urbano e Regional pela UNIVAP. É docente dos Colégios Univap e da EE Francisco Feliciano F. da Silva (Verdinho) e pesquisador-colaborador do Laboratório de Estudos das Cidades da Universidade do Vale do Paraíba.


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e não reflete a opinião do jornal

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