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A desigualdade social em voga perante o cenário atual do Brasil

Miriele Amorim

Não há como desvencilhar nossas vidas, nossas falas, de tudo o que ocorre atualmente no Brasil e no mundo. A pandemia do novo corona vírus trouxe à superfície da nossa realidade muitos aspectos, os quais não queríamos ver, muito menos acreditar que eles de fato existem. Creio que o que mais tem sido evidenciado neste momento é a desigualdade social.

A obra O poço, disponibilizada pela Netflix, retrata metaforicamente o mecanismo do sistema capitalista. No longa, há uma prisão vertical em que os encarcerados vivem diariamente do ócio, aguardando apenas o horário em que uma enorme plataforma alimentícia chega a seu nível  – lugar onde eles se encontram privados da liberdade – e fica imóvel durante o período de dois minutos, a fim de que eles possam “matar a fome”, mas apenas aqueles que se encontram em níveis próximos do topo são privilegiados, pois nada sobra aos que estão no final. Esses presos são trocados de níveis a cada 30 dias, e quem está no topo pode ser o próximo a estar no fundo do poço, literalmente, e acabam matando uns aos outros para sobreviver.  De forma análoga à obra, é possível perceber que no sistema capitalista a Elite da sociedade dispõe da maior porcentagem de riqueza do país, ao contrário da população pobre, que se vê mais pobre a cada dia, e, às vezes, não tem nem como matar a fome, conseguindo fazer com que a realidade seja mais dramática que a ficção. A consequência disso é justamente a extrema desigualdade social em que se encontra o Brasil.

Tal desigualdade é acentuada nesses dias de isolamento social ao qual estamos inseridos. Pessoas precisam se resguardar, preservar suas vidas, mas, ao mesmo tempo, preservar sua subsistência, e se veem obrigadas a se colocar em risco, muitas vezes para suprir as necessidades de sua família, e, dessa forma, colocá-la em risco também. Além disso, pessoas perdem emprego e perdem junto seus sonhos, sua perspectiva de uma vida melhor. E podem até perder suas vidas se, no meio do caminho, forem pegas pelo vírus.

Já aqueles que dispõem de um maior prestígio social estão aproveitando o tão falado home office, para que possam preservar o seu bem maior: sua vida. Entretanto, muitos desses que podem optar por essa forma de trabalho não acreditam na periculosidade dessa doença e, infelizmente, quebram as regras de distanciamento social impostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Estado. Dessa maneira, temos visto que muitos acabam contraindo o vírus, mas por terem condições de um bom atendimento em hospitais particulares são curados, enquanto aqueles afetados pelo vírus e pela desigualdade social acabam morrendo antes mesmo de conseguirem um leito público.

Portanto, é preciso que cada um faça sua parte para que possamos, ao menos, minimizar os impactos provocados por essa desigualdade que certamente será tão significativa em meio à pandemia.

Miriele Amorim é professora de Redação no Colégio UNIVAP Villa Branca, graduada em Letras e especialista em Gramática.

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