Acompanhe aqui os números da COVID-19 em Jacareí

A chave e uma sopa feliz e fumegante – Esther Rosado

As guerras, nos livros de História, dilaceravam o meu coração, sempre foi assim. Eu me lembro de um livro especial, da coleção Círculo do Livro, na estante de casa: Nada de novo no front ocidental (1928), do alemão Erich Maria Remarque; um texto inesquecível, romance sobre a Primeira Guerra Mundial.

Como sofri!  Tempos depois, falando com meu pai sobre o livro e as lágrimas que tinha chorado, escutei dele: “Eu também chorei muito, minha filha.” Aquilo nos aproximou mais. O livro, uma edição da década de 50, existe até hoje na minha biblioteca. Com esses livros do Círculo do Livro, os quais ainda estão diante dos meus olhos, aprendi que os livros envelhecem tal qual as pessoas, sempre. Ganham pálidas e amareladas páginas. Se despedaçam, as folhas soltam-se, as capas ficam tristes e desbotadas. Uns sorriem, outros carrancudos. Mas todos guardam histórias mágicas, tão lindas e tão plenas, tecidas ponto a ponto, palavra a palavra, vírgula a vírgula, título a título.

Mas, voltando ao assunto :outras guerras aconteceram neste mundo, sobretudo contra países mais pobres, e tenho assistido a essa guerra contra a Ucrânia e suas mortes e bombardeios e também tenho chorado, sobretudo quando ouço os discursos do presidente Zelensky e seus apelos desesperados para o mundo ocidental. Difícil não me emocionar ao ver um presidente tão jovem (1978) apelando pela vida de seu povo e reclamar sobre escolas atacadas e hospitais infantis dilacerados. Difícil ver os prédios que desabam e os apartamentos expostos como vísceras, salas e sofás, camas e estantes de livros, cozinhas. Intimidades postas à mostra.

O mundo está doente; não bastasse a pandemia que já dura dois anos, os espetáculos da guerra pela tevê. Tal espetáculo alimenta a alma dos maus, os maus se coçam de prazer e alegria e defendem governos que não prestam, totalitários e tirânicos.

A paz mundial é como o final dessa guerra infame: só acabará se os soldados depuserem as armas e se recusarem a matar mais gente inocente. Não desertar, mas recusar que um dia um livro de História apontem os crimes de guerra de Putin.

Então, quem sabe aquelas mulheres que saíram da Ucrânia com seus filhos possam trazer de volta as chaves de suas portas, abrir suas casas e trazer suas famílias para um bom abraço e uma sopa feliz e fumegante. Quem sabe?

Deixe uma resposta

Top
WhatsApp chat
%d blogueiros gostam disto: